QpQ Resenha | De Volta para Casa

Reese Witherspoon volta às comédias românticas com "De Volta para Casa"

Primeiro trabalho da diretora Hallie Meyers-Shyer, De Volta para Casa colhe elementos das obras de sua mãe, a célebre e maravilhosa Nancy Meyers (O Amor Não Tira Férias, Um Senhor Estagiário, O Pai da Noiva e muitos outros). Assim como a mãe, Hallie não foca somente no aspecto estritamente romântico, como também abrange o âmbito familiar.

Alice Kinney, vivida pela eterna Elle Woods Reese Witherspoon, 40 anos, é decoradora de interiores, mãe de duas filhas fofíssimas – Isabel e Rosie (Lola Flanery e Eden Grace Redfield) – e recém-separada do marido, Austen (Michael Sheen). A família vivia em Nova York, mas desde a separação, Alice optou por voltar às origens: a costa Oeste e ensolarada, Los Angeles. Filha de um grande diretor de cinema com uma de suas musas, Alice volta a viver na casa que – além de linda – abriga suas memórias de infância e os arquivos de seu pai.

Mas voltemos à trama do filme: Alice sai pra beber com umas amigas e conhece uns garotos mais novos, mais intimamente Harry, interpretado pelo absurdamente lindo Pico Alexander. Harry, junto a Teddy (Nat Wolff) e George (Jon Rudnitsky), são um grupo aspirante a diretor, ator e roteirista de cinema. Depois de jogarem um certo charme para a mãe de Alice (Lillian, interpretada por Candice Bergen), eles passam a morar temporariamente na casa e a conviver com as meninas. Há uma verdadeira sensação de família, como se eles três fossem seus tios rs

De Volta para Casa é um filme sem pretensões, muito leve, gostoso de assistir, com uma trilha repleta de sucessos antigos e deliciosos de ouvir, incluindo a música de Carole King que dá nome ao filme (Home Again). Porém, a impressão é de que os personagens são bonzinhos, compreensivos e maduros demais. Não fica muito claro com quem a Reese vai ficar no final e isso normalmente é algo que se consegue deduzir desde o início de uma comédia romântica. Assim como a música, as locações de Los Angeles são um personagem à parte.

A sensação ao final é de que os mocinhos representam um papel similar àquele dos três tios de Três Solteirões e um Bebê, sucesso da sessão da tarde nos anos 90, somente com menos bigodes e calças santropeito. E deve ser mencionado o quanto Pico Alexander parece ter a languidez de um jovem Patrick Dempsey mesclada ao charme de um jovem Matthew Broderick em Curtindo a Vida Adoidado. Ele tem pose, cara e jeito de sair direto de um filme dos anos 80, excluindo o mullet. Sua beleza e carisma chegam a nos distrair da própria história a princípio rs

Como um todo, o filme é uma experiência muito fofinha, divertida e leve, mas que parece ter um senso de realismo meio baixo. Difícil explicar, todos os elementos de uma comédia romântica estão ali, mas falta algo. Mesmo assim, é um deleite assistir para passar umas horinhas e esquecer dos problemas da vida. Não deixe de assistir a esse filme da filha de Nancy Meyers. Algo me diz que aos poucos ela vai acertando o tom.

Nota:

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Sobre Marcela Sachini
Libriana (portanto, indecisa), sou viciada em seriados (inclusive sul-coreanos), apaixonada por idiomas, música e literatura. Moraria em Notting Hill com toda a certeza, só esperando um convite do Henry Cavill para isso. Fui ao cinema pela primeira vez com 6 anos. Foi amor à primeira vista, desde então não parei mais.