QpQ Resenha | O Estado das Coisas

Ben Stiller está em crise de meia idade em "O Estado das Coisas"

Não sou um grande fã de Ben Stiller (Zoolander), então o que me faz dar 4 pipocas para O Estado das Coisas? Admito, Stiller cai como uma luva no papel de Brad Sloan.

No filme, Brad (Stiller) possui uma carreira lucrativa mas mediana e uma vida familiar feliz, mas isso não é o bastante. Ele está obcecado em ser o mais bem-sucedido entre os seus ex-colegas de escola, mas, durante um reencontro com um velho amigo, ele é forçado a ignorar seu sentimento de inferioridade e rever seus conceitos.

O diretor Mike White (roteirista de Escola do Rock e Nacho Libre) faz uma comédia de desconforto sobre a crise de meia de idade de um pai de família norte americano e Stiller se entrega ao papel e a melancolia que ele pede, assim como o fez com o seu A Vida Secreta de Walter Mitty, em 2013.

O trabalho de White é interessante com trechos satíricos, mas trata seus atormentados protagonistas com certa afeição – e parece super interessado por suas vidas simplórias, com os problemas de um homem brando de meia idade.

Brad está angustiado e White usa da narração em off para nos colocar numa espécie de monólogo cheio de altos e baixos acompanhando os sentimentos do personagem. Em um toque inteligente, White nos dá vislumbres das vidas “mais interessantes” dos antigos colegas de Brad.

Inicialmente, parece que vamos nos ater à fórmula clássica das comédias de Ben Stiller, mas não é o caso. O Estado das Coisas foge da fórmula rapidamente ao mostrar um homem lutando com suas inseguranças narcisistas enquanto tenta se colocar num lugar onde possa olhar para o mundo e ver mais do que seu próprio reflexo decepcionado.

O Estados das Coisas não é perfeito, é verdade. A direção de White é quase sempre muito segura e evita riscos. Mas o filme é bom o suficiente para nos fazer desejar que fosse ainda melhor. Ao explorar as fantasias de um homem branco de classe média e meia idade, o filme já se fecha para problemas mais densos. E uma pequena mudança aí, por si só, já traria mais profundidade e inquietações com o filme.

Nota:

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Sobre Felipe Sclengmann
Era praticamente impossí­vel que o cinema não acabasse sendo minha paixão. Cresci no prédio onde um cinema funcionava, criado por um avô e uma avó que se conheceram trabalhando no ramo. Então, tá explicado! Falar sobre cinema é um hobbie, uma paixão, tá no meu sangue! Este é o motivo do Quadro por Quadro existir (além de aplicar os conhecimentos de uma graduação em Sistemas de Informação, a qual detesto) e ele está aí para reunir quem também ama esta arte.