QpQ Resenha | O Matador

"O Matador" é um filme com proposta forte, mas resultado fraco

A Netflix criou um padrão de roteiro e produção que se estende tanto em suas séries quanto em seus filmes originais, que possuem as mesmas estruturas. Isso não é novidade, porque cada estúdio ou canal de TV norte-americana também caminha conforme seus direcionamentos de linguagem e forma de contar histórias. Acontece que a Netflix, enxerga muito dos estereótipos e aposta nos nichos segmentados de gênero. Muitos funcionam, como Stranger Things e as séries em parceria com a Marvel, como Demolidor e Jessica Jones, mas quando isso beira o cansaço e a falta de imaginação, é que entram os problemas. Quem sofre com isso, são as produções locais, como é o caso do primeiro longa brasileiro original do serviço de streaming, O Matador.

Dirigido por Marcelo Galvão, o filme conta uma história de faroeste brasileiro tendo o cangaço como pano de fundo para sua construção mas, em nenhum momento, o filme se encaixa. Em quais sentidos? Bem, quando se pensa em cangaço, a próxima condição é a seca e depois o sofrimento daquele povo. Numa ficção que mistura realidade, o roteiro não nos leva a um filme épico como tenta ser, e sim a um espetáculo de teatro que conta com seus atores sem experiência de câmera para atuar de forma desconfortável para quem assiste, com suas nuances de entonação e técnica corporal que a câmera também não consegue captar da melhor forma. Em se tratar também de cangaço, existe um limite muito perigoso em que, ou você abraça uma violência bruta e encara um Mad Max ou você cai pro lado da comédia como um O Alto da Compadecida, por exemplo. O Matador não é nenhum deles, fica preso num estereótipo e na vontade de contar uma boa história que não faz sentido e conta com uma direção muito crua que não funciona pra um cinema de ação e denso como o filme se propõe.

Ainda que a intenção do filme tente se corrigir ao longo da sua duração, nem a força de seu protagonista salva a história desestruturada que se preocupa com imagens belas, mas não impacta por não conter nada de novo em sua proposta. Infelizmente um esforço, que assim como muitas produções originais, sofrem na Netflix por serem desinteressantes.

Nota:

Sobre Felipe Cavalcante
Formado em RTV, fã de boas músicas e boas histórias, sempre em busca de coisas novas e empolgantes. Obcecado por super-heróis e pela magia do impossível que se torna real nas telas da TV e do cinema.