QpQ Resenha | O Justiceiro

"O Justiceiro" é o retorno de Frank Castle em sua série solo, bastante violenta e empolgante

Pouca gente conhece o Justiceiro além da camiseta de caveira que é vendida em toda rede de lojas de departamento como produto licenciado, mas além do visual all black e metaleiro, o personagem nascido nos quadrinhos da Marvel é uma das referências mais importantes quando se trata de histórias mais maduras e sem o compromisso com atos heroicos, lidando com libertação de padrões morais e o mais importante: violência bruta. Para quem é fã, pode ver muito disso já na segunda temporada de Demolidor, com um crossover excelente entre os personagens e o início da jornada solo de Frank Castle nas descobertas de seu passado conturbado.

A série retoma o tom e a plástica estabelecida para o personagem dentro do universo criado pela parceria da Marvel com a Netflix, e aproveita seu apelo popular e carisma, para ir ainda mais fundo, tomando pra si a responsabilidade de ser fiel aos quadrinhos sem medo de ultrapassar os limites da violência. Já no primeiro episódio, que é um dos mais bem construídos e redondos, a série abre com o fim da vingança inicial de Frank contra os responsáveis pela morte de sua família e inicia uma trama singular muito bem construída onde ele cria uma nova identidade e vive nas sombras como um homem morto. Os acontecimentos dessa abertura, dão espaço a um vislumbre do que está por vir na série a partir daí, com ganchos bastante empolgantes.

O anti-herói cria uma aliança inesperada com Micro (Ebon Moss-Bachrach), outro vilão clássico dos quadrinhos, e nesse caminho, sua confiança é testada em todas as relações interpessoais que aparecem, mas a que mais permanece intacta é com Karen Page (Deborah Ann Woll), que aparece na série como um elo entre o universo dos Defensores. Calculada para ser uma história sobre veteranos de guerra em meio ao caos pessoal de Frank Castle, o momento não poderia ser mais oportuno por tocar em feridas da sociedade americana, que exclui e descarta aqueles que lutam pela pátria. Conspiração, é uma palavra chave que acompanha o personagem desde a segunda temporada de Demolidor, mas por mais que a primeira impressão fale que isso será cansativo de acompanhar, pelo contrário, a trama tem calma em aparar as arestas e contar com simplicidade uma resolução simples e interessante para O Justiceiro.

Ainda que a Marvel ainda se mantenha tímida e envergonhada demais em abraçar o heroísmo e estampar na tela os uniformes clássicos de seus heróis, O Justiceiro é muito respeitosa com o personagem original. A produção criada por Steve Lightfoot, homenageia os fãs com passagens que remetem instantaneamente aos quadrinhos de seus criadores, Gerry Conway, Ross Andru e John Romita. Cabe até um vislumbre de uma partida de CS no quinto episódio. Turrão, bruto e ao mesmo tempo com um uma bondade duvidosa, Frank Castle conseguiu finalmente seu espaço merecido muito pelo trabalho de seu intérprete. Jon Bernthal, nunca esteve tão a vontade e mostra tudo o que é capaz com talento e força.

Nota:

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Sobre Felipe Cavalcante
Formado em RTV, fã de boas músicas e boas histórias, sempre em busca de coisas novas e empolgantes. Obcecado por super-heróis e pela magia do impossível que se torna real nas telas da TV e do cinema.