QpQ Resenha | Quando o Galo Cantar Pela Terceira Vez Renegarás Tua Mãe

“Quando o Galo Cantar Pela Terceira Vez Renegarás Tua Mãe” é uma viagem claustrofóbica e estressante

Interações entre os membros de uma família por si só normalmente são bastante complicadas, pois em um mesmo ambiente reunimos pessoas diferentes que estão ali reunidas por laços que nem sempre são criados de mútuo acordo. E as tensões podem aumentar quando os envolvidos não se aceitam, têm problemas psicológicos ou sofreram uma perda recente. Bem-vindo à família de Quando o Galo Cantar Pela Terceira Vez Renegarás Tua Mãe e sua loucura básica do dia a dia, incluindo um galo (ou seria uma galinha?) que mora no balcão da pia da cozinha.

A história acompanha o ponto de vista de Inácio (Fernando Alves Pinto, de Para Minha Amada Morta), que trabalha como porteiro em um prédio da zona sul do Rio de Janeiro e vive com o pai doente, Guilherme (Tião d’Ávila, de Memórias Póstumas), e a mãe, Zaira (Catarina Abdalla, de Vai Que Cola – O Filme). Detalhe: a família vive em um apartamento desse prédio, cedido para a família porque Guilherme é zelador ali. O pai de Inácio morre logo no começo do filme, e isso faz com que ele e a mãe comecem a se desentender, ainda mais porque o rapaz sofre de algum distúrbio psicológico, agravado pela situação. Além disso, Inácio tem uma queda por um dos moradores do prédio, mas não consegue aceitar sua homossexualidade. E essa panela de pressão pode estourar a qualquer momento.

O filme é tenso. Muito tenso. Primeiro, todos estão sempre gritando, jogando coisas pelas paredes e batendo portas. Depois, a câmera não ajuda muito a relaxar, pois a maior parte do filme acontece em closes claustrofóbicos e ângulos desconfortáveis. Tudo parece ganhar outra dimensão, mais exagerada, mais dramática, mais tensa. E isso tudo se deve ao personagem que nos guia nessa trama, Inácio. E o filme é genial por nos levar nesta viagem pelo universo de Inácio através de seu ponto de vista. Claro que tudo fica bem mais parcial, e como em Dom Casmurro vamos acusar Capitu por apenas ter a visão de Bentinho. E podemos ter uma grande decepção ao final. Mas a viagem incerta vai valer a pena pela maestria da narrativa.

Então corre pro cinema e se afoga na pipoca e no refri para conseguir sentar até o final desse suspense brasileiro de primeira (cinema nacional <3 ). Nota:

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Sobre Melissa Correa
Cinema sempre foi minha maior paixão, sempre fez parte de quem eu sou. Quando criança, eu levantava pra ver filmes de terror de madrugada, escondida. Ficava até três da matina (bendito fuso horário de Los Angeles!!) pra acompanhar o Oscar. E salvava cada centavinho pra ver os filmes no cinema. Hoje também curto viajar, beber café e ler, mas o cinema continua em primeiro lugar na minha vida.