QpQ Resenha | Altas Expectativas

"Altas Expectativas"? Não com esse filme!

O cinema nacional, enquanto pensado para o grande público, costuma produzir apenas comédias e comédias românticas, normalmente buscando um humor fácil e que só faz rir as grandes massas já acostumadas com o pastelão que é a própria televisão brasileira. Altas Expectativas é mais um caso como esse.

No filme, Décio (o humorista Gigante Léo) é um treinador que trabalha no Jockey Club Brasileiro e se apaixona à primeira vista por Lena (Camila Márdila, de Que Horas Ela Volta?), uma jovem que recebeu como herança um empreendimento endividado no clube. Tímido por ser anão, ele não tem coragem de se declarar, mas acaba sendo convencido por amigos a se aproximar pelo humor, fazendo a melancólica moça aprender a sorrir.

A sinopse é bonitinha e o romance entre um anão e uma mulher de estatura dita “normal” teria tudo para ser inclusivo e até mesmo precursor, uma vez que o protagonista é um anão na vida real e não um ator diminuído digitalmente, como em Um Amor à Altura. Mas não é o caso.

O romance não cativa. Márdila atua mecanicamente e não tem um roteiro decente para se apoiar enquanto Léo não tem graça alguma com suas piadas autodepreciativas inseridas a partir de seu show ao longo do filme. Então era de se esperar que o drama sobre as pessoas com nanismo funcionasse, mas esse também é muito mal explorado.

Não se fala de inclusão. Mal se fala de fobia, pouco se fala de comentários maldosos, desrespeito e gracinhas. E isso era o mínimo a se esperar do filme como esse.

Pedro Antonio e Álvaro Campos dirigem e se perdem na tentativa de mesclar o romance com o humor. Os diretores usam e abusam da trilha da banda Do Amor na tentativa de conectar as cenas, mas nem as canções bonitinhas servem para fazer uma boa montagem.

Altas Expectativas vai tentar entrar no mercado como mais uma comédia nacional, com um pouquinho de romance. Se vai conseguir, são outros quinhentos, porque rir nem sempre é o único objetivo.

Nota:

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Sobre Felipe Sclengmann
Era praticamente impossí­vel que o cinema não acabasse sendo minha paixão. Cresci no prédio onde um cinema funcionava, criado por um avô e uma avó que se conheceram trabalhando no ramo. Então, tá explicado! Falar sobre cinema é um hobbie, uma paixão, tá no meu sangue! Este é o motivo do Quadro por Quadro existir (além de aplicar os conhecimentos de uma graduação em Sistemas de Informação, a qual detesto) e ele está aí para reunir quem também ama esta arte.