QpQ Resenha | Lucky

“Lucky” é uma comédia dramática que fala sobre o fim da vida

Lucky conta a história de um senhor de idade que se percebe próximo do fim da vida. Depois de fumar mais do que qualquer pessoa na cidade, Lucky (Harry Jean Stanton, de Alien, o Oitavo Passageiro) percebe que está chegando ao fim. Com seu jeito turrão e sistemático, sempre com uma resposta afiada na ponta da língua, Lucky é o típico personagem da contracultura. Apesar do estilo cowboy solitário, o personagem diverte e cativa.

Lucky passa o restante dos seus dias em uma comunidade no interior dos Estados Unidos, que parece isolada de tudo e de todos. Essa sensação de distância e isolamento reforça as questões emocionais do personagem, que se tornam mais fortes a medida que o filme avança.

Mesmo não tendo a mesma idade que o personagem, muitos irão se identificar com os questionamentos filosóficos que o filme levanta. É difícil não se envolver com Lucky.

Os diálogos são bem estruturados, mostrando um roteiro sólido e bem construído. O humor é maduro e inteligente, repleto de ironias e sarcasmos. O diretor John Carroll Lynch (Fargo) afirma ter se baseado na vida de Staton para construir o protagonista de Lucky. Assim como Staton, Lucky também serviu na Segunda Guerra Mundial como cozinheiro em um navio. A parte triste disso tudo é que Staton morreu poucos meses atrás, antes do lançamento do filme. Lucky é uma bela despedida de um ator que se tornou ícone no cinema americano.

Não preciso dizer que a atuação de Staton está maravilhosa. O filme conta com a participação de atores incríveis, em especial do cineasta David Lynch (Veludo Azul), que interpreta o personagem Howard. Lucky parece ser construído em cima de uma estrutura simbólica (deserto, o movimento lento do cágado, a cidade aparentemente vazia, etc.), onde tudo corrobora para aumentar a carga dramática do personagem. De fato, é um ótimo filme!

Nota:

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Sobre Viní­cius Gratão
Geek de carteirinha, apaixonado por quadrinhos, games, animes e tecnologia. Formado em cinema, amo particularmente os clássicos e os westerns à  italiana. Acredito em tudo, inclusive em Tex Willer.