QpQ Resenha | Todas as Meninas Reunidas, Vamos Lá!

“Todas as Meninas Reunidas, Vamos Lá!” mostra o fortalecimento das relações femininas

O documentário Todas as Meninas Reunidas, Vamos Lá! acompanha as atividades no Girls Rock Camp Brasil, um acampamento só para meninas em Sorocaba, São Paulo, que tem como missão principal empoderar e promover a autoestima das visitantes, através de atividades que envolvem a educação musical, criatividade e feminismo. Lá elas aprendem ainda a tocar algum instrumento, formam uma banda e se apresentam ao vivo para uma plateia formada por pais, familiares e amigos.

O longa documental tem como plano de fundo um acampamento, mas só sendo mulher pra entender que esse é somente o cenário, pois o longa dirigido por Carol Fernandes fala de relações humanas, empatia, sororidade e empoderamento feminino.

A musica só é o viés inicial que aproxima as meninas, o estalo necessário para se unirem durante uma semana para troca de experiências, que provavelmente serão muito utilizadas como aprendizado para outras situações da vida. E nada tão mutável e criativo como a música.

O filme traz depoimentos das organizadoras do acampamento, de oficineiras (que trabalham com temas que vão além da música, exemplo da aplicação de aulas de yoga e defesa pessoal), e também temos falas das participantes que tem entre 7 e 17 anos.

Ouvindo a organização é possível perceber que a ideia trazida dos EUA foi se adaptando, mas que dificuldades foram servindo de aprendizado para os anos seguintes e de como isso fortaleceu ainda mais as relações, na fala das oficineiras reverbera muita a questão das trocas e de como poderia ter sido diferente se no passado mais meninas tivessem a oportunidade de estar juntas, pensando em simplesmente ser meninas, e não somente repetir padrões de uma sociedade machista, e em como fomos preparadas para sermos inimigas por conta de um discurso pronto, feito por homens e para agradar os mesmos.

E é nos depoimentos das participantes que é possível perceber essa mudança, onde elas citam o que fazem, que estão ali porque gostam, porque querem e principalmente porque podem fazer o que quiserem, e não é à toa que muitas voltam, fazendo com que em cada ano o número de meninas aumente.

Uma semana parece pouco aos olhos das participantes, da organização e até mesmo para quem assiste, afinal são raros os momentos em que vemos mulheres como protagonistas, sendo tiradas da objetificação. É um respiro em um mundo ainda tão machista onde as demandas do feminismo são tratadas com tanto preconceito, por simplesmente dar espaço e vez as mulheres e ao que realmente elas querem. E por conta de tudo isso, é um filme para assistir com a família, com amigos, com a comunidade, com quem você quiser.

Não se trata de um filme institucional, e para quem está preocupado com enquadramento, planos, e iluminação e porque não percebeu que até isso foi desconstruído para mostrar que as coisas precisam ser diferentes, e que aqui o mais importante são as falas e o espaço das meninas na tela.

Nota:

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