QpQ Resenha | Willy I

“Willy I” acompanha a reviravolta na vida de um senhor de 50 anos

Ao ler a sinopse de Willy I já percebemos um filme que se propõe a trazer algo de diferente aos espectadores: “Para Caudebec irei, um apartamento terei, uma scooter terei, e amigos terei. E vocês que se danem!”, diz Willy, um senhor de 50 anos, aos seus pais após a morte de seu irmão. Até então, viviam os quatro numa propriedade rural a nove quilômetros de Caudebec, uma pequena Comuna no norte da França com menos de três mil habitantes. Aí um dos estranhamentos, um homem de 50 anos tendo um comportamento de um adolescente, uma revolta com os pais e um abandono do lar, quase uma fuga.

Neste ponto começamos a acompanhar a saga de Willy em três capítulos, onde em cada um ele alcança seus objetivos: ter um apartamento, uma scooter e fazer amigos. Ainda abalado pela morte de seu irmão gêmeo, Willy sofre alguns tropeços e comete alguns erros em seu caminho.

Os diretores (sim, no plural, são quatro: Ludovic e Zoran Boukherma, Marielle Gautier e Hugo P. Thomas) se basearam na história de vida de Daniel Vannet, que interpreta muito bem seu próprio papel no filme, como Willy. Daniel saiu de casa aos 45 anos, sem saber ler, sendo explorado pelo patrão e com objetivos simples a atingir. Aos 54 anos estrela seu primeiro longa metragem como ator. Esta é a beleza e a potência de uma vida ordinária e simples que os diretores tentam expor no filme.

Como um bom filme europeu, diálogos interessantes, profundos e melancólicos são intercalados com silêncios constrangedores e cenas longas do cotidiano tedioso de Willy. Porém, os diretores nos presenteiam com algumas cenas de um humor com muito bom gosto.

Não poderia deixar de citar o contexto político e econômico da França, que os diretores procuram explorar discretamente nas falas do colega de trabalho de Willy, um jovem homossexual que sonha ir para a Alemanha.

Willy I é um bom filme, que fisga o espectador na tragicômica virada na vida de Willy, e a partir disso tenta instigar uma reflexão sobre como uma vida comum e a conquista de metas simples podem ser tão inspiradoras quanto as histórias de grandes heróis.

Nota:

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Sobre Hugo Leonardo Marandola
Vê Arte como busca pela compreensão do mundo. Uma busca pelo conhecimento, assim como a Ciência. Talvez isso explique um professor de Geografia escrevendo sobre filmes, ou não!