QpQ Resenha | 1:54

“1:54” é um drama que explora os limites do corpo e da alma

O canadense Yan England está presente nesta edição do My French Film Festival com o filme 1:54. Meu primeiro contato com England foi com a biografia que ele dirigiu dos irmãos Versace, no filme House of Versace. Críticas à parte, em House of Versace England demonstrou ser metódico quando se trata de interpretação. É impressionante a capacidade que o diretor demonstra com seus atores, e muito mais a sua capacidade de trazer realismo dramático em cenas tipicamente cotidianas.

Esse talento que England possui para dirigir atores está muito marcado em 1:54. Tim (Antoine-Olivier Pilon) é um jovem tímido de 16 anos, aparentemente normal, mas que possui uma genialidade natural para esportes. Seu corpo nasceu para vencer, mesmo que sua mente não consiga acompanhar. As pressões e exigências que caem sobre ele acabam por minar seu talento, o fazendo cobrar de si mesmo o alcance de seus próprios limites. É um filme de superação e de falha. De partida e de chegada.

Apesar do tema principal ser o esporte, 1:54 é mais do que isso. O filme trata de aceitação e de culpa. Aparentemente Tim não consegue aceitar sua própria homossexualidade, e após a morte de seu amigo, Tim passa a se culpar.

O filme também trata de bullying e violência psicológica, temas corriqueiros em filmes com adolescentes. Nesse ponto devo registrar minha frustração. Olhando assim por cima, parece que 1:54 reúne grandes clichês de filmes adolescente e de filmes gays e coloca em um só longa. Mas tudo bem, o filme funciona. É o que importa.

Apesar de não ter gostado da solução que apresentaram para o personagem principal no final, o filme correspondeu às minhas expectativas. A trilha sonora é ótima, e como já disse, a interpretação é a cereja do bolo. Personagens reais em dramas reais, é essa a impressão que temos quando assistimos 1:54.

Nota:

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Sobre Viní­cius Gratão
Geek de carteirinha, apaixonado por quadrinhos, games, animes e tecnologia. Formado em cinema, amo particularmente os clássicos e os westerns à  italiana. Acredito em tudo, inclusive em Tex Willer.