QpQ Resenha | Ava

“Ava” mostra que a intensidade dos sentimentos pode ser algo poderoso

A intensidade daquilo que sentimos pode ser algo muito poderoso e nos levar a trilhar caminhos inimagináveis. O filme Ava, que compõem a sessão Hit The Road no My French Film Festival 2018, mostra uma parte desses caminhos.

Ava é uma menina de 13 anos que no início das férias de verão descobre que está perdendo a capacidade de enxergar. O diagnóstico entristece muito sua mãe, que quer garantir que ela tenha o melhor verão de sua vida. Ava, por si só uma adolescente tão revoltada e à beira de novas descobertas quanto a idade permite, acaba se envolvendo em uma série de acontecimentos que desafiam a autoridade de sua mãe, da polícia, e seus próprios limites, tudo para talvez deixar registrado que algumas coisas ainda estão sob seu controle, que ainda é ela quem decide o desfecho.

De todas as qualidades do filme, a que mais se destaca é sua capacidade de surpreender o espectador. A trama está bem construída, os personagens conduzem bem o enredo, os cenários são lindos e completam os dramas da narrativa, e no meio desses elementos algumas cenas chegam para desestabilizar a continuidade, exatamente como a essência da história propõem: no meio de um verão maravilhoso uma notícia muda o curso de tudo para sempre, o que podia ser apenas uma fase da adolescência se revela algo muito mais profundo, que não vai permitir que a vida seja vivida da mesma forma.

Outro destaque é para a jovem atriz que interpreta a personagem principal, Noée Abita. Apesar de ser na realidade mais velha do que Ava ela transmitiu uma postura, um olhar, um ritmo de fala que caracterizaram muito bem a menina. Sem dúvida mais um para a lista de longas imperdíveis do Festival.

Nota:

Please follow and like us:
Sobre Thais Wansaucheki
Publicitária descendente de ucranianos que além de cinema nunca dispensa um bom Chai. Como curitibana da gema, aproveito os (raros!) dias de sol andando de bicicleta e os dias de frio com livros, HQs e receitas de doces! Sem falar das horas de conversas com amigos que independem do clima. Adoro balões e sou fã e jogadora incansável de Tetris.