QpQ Resenha | Curtas – French and Furious

A categoria de curtas "French and Furious" traduz sentimentos viscerais

Se existe uma oportunidade boa para aprender ou aperfeiçoar o francês, é com curtas legendados na língua francófona e na nossa língua materna. Essa tríade de curtas do My French Film Festival 2018 traduz sentimentos viscerais do ser humano, como a obsessão em Please Love Me Forever, o amor familiar em Morte, Pai e Filho e a mania de perfeição em A Carícia. Totalizando 50 minutos, os três curtas revelam lados obscuros e inesperados de seus personagens. Vamos ver o que esperar de cada um deles!


Please Love Me Forever

O maior dos curtas, com cerca de 30 minutos, mostra estética e enredo que bebem da fonte fantástica, apresentando Lili, uma garota adolescente albina que nunca sai de casa. Logo vemos que é devido ao zelo exacerbado da mãe, que possui uma cicatriz no rosto e uma obsessão sem proporções com a aparência e sua juventude. Tamanho isolamento e falta de trato social levam a menina a não saber os limites de seu amor pelo vizinho, Lyesse, de 15 anos, um amigo que às vezes brinca escondido com ela.

Um paralelo pode ser feito à educação extra zelosa de alguns pais, que acabam construindo uma redoma de vidro ao redor de seus filhos, temendo e evitando tudo que os ameace, mas também privando-os de aspectos normais e inevitáveis da vida. Mais preocupada com sua aparência e não querendo que a filha sofra por desilusão amorosa (ou até com certa inveja), a mãe acaba criando um ambiente inóspito para todos os que se atrevem a cruzar o limite de sua morada. Confira no que vai dar essa combinação.

Nota:


Morte, Pai e Filho

O mais interessante dos três curtas possui duração mais breve, com cerca de 13 minutos. Animação sombria e com veia de humor negro, apresenta o cotidiano do “Pai Morte” e seu filho. Acompanhamos a rotina da Morte, desde acordar cedo, passando pelo café da manhã, a lista das pessoas cujos espíritos ele dá um empurrãozinho para o além, e finalmente a volta para casa e seu filho.

Ainda pequeno, o filho fica em casa enquanto o pai trabalha. Numa sequência hilária, o filho Morte vibra com um programa de TV que mostra um anjo e suas boas ações E assim como qualquer criança curiosa, ele abandona os afazeres domésticos e sai sozinho para explorar a cidade – o pesadelo de qualquer pai que se preze – e realizar seu sonho de ajudar pessoas aleatórias na rua – um pesadelo ainda maior para um pai Morte. Divirta-se com esse curta muito bem-humorado com uma relação filial única e também universal.

Nota:


A Carícia

Inusitado e diferente é o que vem à cabeça ao descrever esse curta. Sem falas, acompanhamos o dia a dia de um homem que mora sozinho em seu imaculado apartamento. Sua mania de perfeição e atenção aos mínimos detalhes quando se fala de limpeza colocariam a Monica Geller (ou Bing) de Friends no chinelo. Até o dia em que um gato aparece no lado de fora de sua janela para perturbá-lo.

E não é qualquer gato não, é um gato preto, para ajudar com a temática obscura e fantástica que permeia todos os curtas. O sujeito, visivelmente incomodado na presença de outras pessoas, tenta se expor ao mundo, mas sente repulsa e desconforto em meio a uma multidão. Então o gato se torna seu foco principal e resta ao espectador ver até onde ele vai para se livrar do problema.

Nota:


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Sobre Marcela Sachini
Libriana (portanto, indecisa), sou viciada em seriados (inclusive sul-coreanos), apaixonada por idiomas, música e literatura. Moraria em Notting Hill com toda a certeza, só esperando um convite do Henry Cavill para isso. Fui ao cinema pela primeira vez com 6 anos. Foi amor à primeira vista, desde então não parei mais.