QpQ Resenha | Sem Fôlego

"Sem Fôlego" é como uma bela grande volta por um museu

Brian Selznick ataca novamente! Em 2011 chegava aos cinemas pelas mãos de ninguém menos do que Martin Scorsese a adaptação de seu livro, com a incrível história de A Invenção de Hugo Cabret, homenageando a história do cinema. Agora, em Sem Fôlego, Brian nos premia com outra história lindíssima fazendo uso da nostalgia de uma maneira mais humilde, embora não menos pungente.

Dessa vez, coube a Todd Haynes (Carol) traduzir a magia das páginas de Brian em uma homenagem ao cinema mudo, ao berço do conhecimento que são os museus, a famílias e suas particularidades.

Ben (Oakes Fegley) é um garoto de cerca de 10 anos que vive em Minnesota no ano de 1977 com a mãe (Michelle Williams) curioso a respeito de sua origem, principalmente quem seu pai era, algo sobre o qual a mãe parece nunca querer falar. Até que ela falece em um acidente e ele também sofre um acidente: um raio o atinge no meio de um telefonema, deixando-o surdo. Resta a Ben tomar as rédeas de sua vida e seguir as pistas que o levam a Nova York, ao seu pai.

Rose (Millicent Simmonds), de 12 anos, também se sente solitária em 1927, na cidade de Hoboken, Nova Jersey. Vivendo com seu pai, um homem rígido, ela é surda e possui uma verdadeira adoração pela estrela de cinema Lillian Mayhew, interpretada por Juliane Moore e à figura de Lillian Gish, estrela dos filmes de D.W.Griffith. Um dia parte sozinha para Nova York, em busca desta. A semelhança entre suas trajetórias culmina em um belo desfecho.

Todd Haynes utiliza a música para homenagear os estúdios, assim como a literatura para embalar a corrida de Ben (“Estamos todos deitados na sarjeta, mas alguns de nós olham para as estrelas” – Oscar Wilde). O filme se assemelha a uma grande volta no museu, uma volta pela história de ambas as crianças. A amizade que se forma entre Ben e Jamie (Jaden Michael) é um dos destaques do filme, a dupla tem uma química ótima. Bate uma saudade no coração feito ao assistir Conta comigo.

E por último, mas não menos importante, a intérprete de Rose traz vida à narrativa, tamanha sua expressividade e força do olhar. Ela verdadeiramente parece uma estrela de cinema mudo. A atriz também é surda e consegue passar ao público uma inocência e perseverança admiráveis. Não deixe de conferir esse elenco afiado e o possível grande futuro de uma estrela mirim.

Nota:

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Sobre Marcela Sachini
Libriana (portanto, indecisa), sou viciada em seriados (inclusive sul-coreanos), apaixonada por idiomas, música e literatura. Moraria em Notting Hill com toda a certeza, só esperando um convite do Henry Cavill para isso. Fui ao cinema pela primeira vez com 6 anos. Foi amor à primeira vista, desde então não parei mais.