QpQ Resenha | Três Anúncios para um Crime

"Três Anúncios para um Crime" é mais um daqueles filmes que parecem chegar na hora certa

Para nós, espectadores, parece que para um filme ser indicado ao Oscar de Melhor Filme, ele precisa ser muito bom e ter um tema, no mínimo, relevante. Talvez seja por isso que não vemos tantos filmes blockbusters nas categorias principais, porque é difícil uma produção desenvolvida para as massas ser considerada especial para a Academia. Mas esse não é o caso. Três Anúncios para um Crime tem tudo pra ser o grande vencedor da noite do Oscar 2018 e vou tentar explicar o motivo.

Desde pequenos, nós somos educados a pensar igual, a falar igual e a ter as mesmas opiniões que a grande maioria das pessoas. Acontece que sempre surge alguma coisa para quebrar esses padrões, onde novos são colocados. Isso, felizmente, vem acontecendo com o mundo. A “geração mimimi”, como muitos por aí dizem, conseguiu mudar vários aspectos que eram intrínsecos ao homem e a sociedade em que sempre esteve inserido, como a maior aceitação pela comunidade LGBT+, a força da mulher sendo colocada em pauta e até a acolhida de imigrantes. Hoje falaremos especificamente sobre a mulher.

No ano passado, Hollywood foi bombardeada e desestabilizada após a série de casos de assédio expostos por muitas mulheres que trabalham no ramo. E agora, em cima do timing desse assunto que ainda não perdeu a relevância (e que na verdade NUNCA deve perder), temos filmes como Três Anúncios para um Crime sendo lançados. E isso é EXTREMAMENTE importante. Não só pelo timing, mas pra mostrar que sim, nós estamos enxergando tudo e não somos coniventes com nada disso.

O filme narra a história de uma mãe, Mildred Hayes, interpretada pela sensacional Frances McDormand. A filha dela foi estuprada antes de ser morta e até hoje a polícia local não resolveu o caso. E é aí que ela entra como a melhor mãe coruja badass para resolver toda a história e permitir que sua filha descanse em paz e tenha ao menos um pouco de justiça. Ela contrata uma agência de publicidade, onde pede que três anúncios sejam colocados em três outdoors na cidade, perto do local onde o crime aconteceu. E isso, meus caros, vai abalar todo mundo por lá.

O mais interessante de toda a história, é que mesmo sendo um assunto super pesado e chocante, o filme aposta e acerta na sutileza. E esse contraste nas emoções é extremamente bem feito, dando luz à personagem de Frances e construindo outros de modo perfeito. Os coadjuvantes interpretados por Woody Harrelson e Sam Rockwell merecidamente receberam indicações por seus papeis, que são uma crescente e ajudam a dar tom ao filme. Eu não ficaria surpreso se, por um milagre, acontecesse um empate na categoria.

O roteiro é super amarrado e você vai entendendo aos poucos porque todo mundo faz o que faz. Outra coisa ótima é que o filme é o que ele é, pois não tenta te comprar com reflexões ou discussões profundas sobre temas específicos.

A direção de Martin McDonagh vai trilhando um caminho que permite que todos os personagens sejam cinza, sem serem 100% bons ou maus. Isso faz com que eles sejam mais reais ainda, podendo facilmente existir fora das telas.

E por último mas não menos importante, a brilhante Frances McDormand traz o filme nas costas. Tudo depende dela, dos mínimos ao grandes detalhes, fazendo a atriz entregar um trabalho primoroso. Depois de já ter levado muitos prêmios por essa atuação, incluindo o Globo de Ouro de Melhor Atriz, também não seria surpresa se ela levasse o Oscar, até porque sabemos que a Academia ama ver uma produção onde o ator se desdobra pra viver um personagem…

Três Anúncios para um Crime não é um filme que discute tudo em tela e isso é uma das melhores coisas dele, pois permite que o filme quebre a quarta parede e passe a flutuar na cabeça do público, que fica com muitas questões a serem resolvidas após seu término. É, sem dúvida alguma, um dos filmes mais fortes do ano.

Nota:

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Sobre Bira Megda
Publicitário em formação, é apaixonado por cinema desde pequeno. Entre suas paixões do mundo cinematográfico, as obras de Steven Spielberg e os romances estrelados por Audrey Hepburn se destacam facilmente (mas não que um filme sangrento dirigido pelo Tarantino seja dispensável). Além disso, ama escrever sobre o mundo pop e colecionar filmes e livros. Por último, mas não menos importante, respira e come tudo relacionado ao universo Harry Potter. P.S.: ele também acha estranho escrever sobre si mesmo em terceira pessoa.