QpQ Resenha | Nasce Uma Estrela

“Nasce Uma Estrela” apresenta uma Lady Gaga como nunca vimos e funciona como um musical moderno, cheio de emoção

Com tantas versões ao longo das décadas, Nasce Uma Estrela é como um marco de gerações. Dessa vez, a estrela é Lady Gaga, que mesmo ganhando um Globo de Ouro por sua atuação em American Horror Story e também já tendo feito uma participação em Machete Mata, sua tão sonhada carreira de atriz nunca havia convencido. Deixando aflorar muito mais seu alter ego exuberante de diva pop, do que a Stefanie.

É nesse meio termo que Gaga encontra seu paraíso. No filme, sua personagem Ally, é uma garota normal, que trabalha, paga suas contas e sonha em cantar, mas mesmo com uma voz incrível, ela não tem o visual certo para a indústria. Esse pano de fundo é totalmente emprestado da própria trajetória da cantora, que também leva para o roteiro a questão do seu nariz e trejeitos. É quando o personagem de Bradley Cooper, o astro da música, Jackson Maine, entra na trama, que coincidentemente acaba conhecendo Ally e daí todo o desenrolar do longa acontece. O primeiro encontro deles soa muito piegas, mas ainda é aceitável, o problema do roteiro são seus altos e baixos, que contrastam muito as aparições dos protagonistas. Quando Bradley aparece, é como se o filme ficasse morno, mas quando Gaga está na tela, existe uma excitação maior e as cenas parecem mais vivas.

Cooper, que arriscou na cantoria, entrega uma voz muito fraca e desafinada que perde totalmente a credibilidade que ele tenta compensar na atuação. Seu personagem é um astro alcoólatra, drogado, suicida e que vive sem muito propósito. O que alivia um pouco a pressão em cima do ator, são as faixas musicais muito bem produzidas e escritas, formando uma trilha sonora muito especial, que também é bem usada no roteiro e na montagem. Já a relação afetiva entre o casal não entrega a emoção esperada, o que move o filme é o sentimento de Ally e suas motivações, muito mais do que qualquer outra coisa.

O filme ganha poder com sua técnica em filmar as performances e canções, que sabe se dividir em entregas mais intimistas e espetáculos emocionantes, que parece mesmo que está sendo ao vivo. Agora, a trama em si, nada acrescenta como cinema e é totalmente esquecível, o que podemos extrair dessas mais de 2 horas de projeção, são as belas canções e suas interpretações. Como um dos favoritos na corrida pelo Oscar, finalmente Lady Gaga entregou sua melhor performance e encontrou a melhor forma de atuar, sendo ela mesma.

Nota:

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Sobre Felipe Cavalcante
Formado em RTV, fã de boas músicas e boas histórias, sempre em busca de coisas novas e empolgantes. Obcecado por super-heróis e pela magia do impossível que se torna real nas telas da TV e do cinema.