QpQ Resenha | O Primeiro Homem

"O Primeiro Homem" é um drama super-realista

Na maioria das vezes, viagens espaciais são retratadas como algo romantizado. É um fio de esperança para caso algo dê errado na Terra (já está dando e os culpados somos nós). Damien Chazelle (La La Land – Cantando Estações) faz de O Primeiro Homem um retrato nada tranquilizador sobre a jornada de Neil Armstrong através do programa espacial da década de 1960.

No filme, a vida do astronauta norte-americano Neil Armstrong (Ryan Gosling) e sua jornada para se tornar o primeiro homem a andar na Lua. Os sacrifícios e custos de Neil e toda uma nação durante uma das mais perigosas missões na história das viagens espaciais.

O filme coloca o espectador dentro dos compartimentos claustrofóbicos das cápsulas espaciais e quando o personagem está lá, chacoalhando violentamente, você está sofrendo junto com ele. Chazelle enche o filme de sutilezas, assim como fez com La La Land – Cantando Estações. Seu trabalho de direção é simplesmente incrível.

O diretor sabe que a história do programa espacial da NASA já foi contada anteriormente (Os Eleitos fez isso magistralmente, em 1983, e ainda levou 4 Oscars no processo). Então ele quase transforma O Primeiro Homem em um documentário dramático sobre perigo e obsessão. Ele tem sucesso ao restringir a ação quase inteiramente ao ponto de vista dos próprios astronautas. Vemos e ouvimos as coisas que eles veem e ouvem durante suas missões (o filme evita planos panorâmicos que eles não têm acesso), e isso te leva a questionar tudo que eles estão pensando e sentindo no momento.

Vistas de dentro, da forma como O Primeiro homem mostra, as viagens espaciais parecem ainda mais perigosas. O programa espacial não representava apenas a conquista de uma nova fronteira, mas também uma nação se mostrando forte o suficiente para desafiar a morte. O filme capta o que todos sabiam: a morte sempre fez parte desse processo. Com isso, O Primeiro Homem causa a mesma reação nos dramas espaciais que O Resgate do Soldado Ryan causou nos filmes de guerra. Há uma redefinição na forma como imaginamos as viagens espaciais.

Sobre a esposa de Armstrong, Jan, Claire Foy (The Crown) interpreta ela como alguém que almeja apenas uma vida normal, e que tenta levá-la por trás de uma máscara. O desempenho de Foy vai crescendo ao longo do filme e percebemos que o fardo de Jan não é apenas o seu medo. Vale conferir a série The Astronaut Wives Club para entender um pouco mais dos sentimentos das esposas que ficavam para trás quando os seus maridos eram mandados para o desconhecido.

O Primeiro Homem comemora o 50º aniversário da primeira aterrissagem na lua, e pode comemorar com alguns Oscars na mão. Depois desse filme, dificilmente você verá esse evento histórico da mesma maneira. Você saberá mais profundamente como tudo aconteceu, o que significou e o porquê o mistério que rodeia o evento persiste até hoje.

Nota:

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Sobre Felipe Sclengmann
Era praticamente impossí­vel que o cinema não acabasse sendo minha paixão. Cresci no prédio onde um cinema funcionava, criado por um avô e uma avó que se conheceram trabalhando no ramo. Então, tá explicado! Falar sobre cinema é um hobbie, uma paixão, tá no meu sangue! Este é o motivo do Quadro por Quadro existir (além de aplicar os conhecimentos de uma graduação em Sistemas de Informação, a qual detesto) e ele está aí para reunir quem também ama esta arte.