QpQ Resenha | Bumblebee

"Bumblebee" é a ode apaixonada aos brinquedos que os fãs esperavam desde o primeiro "Transformers"

Duas décadas antes dos eventos retratados no primeiro Transformers, Bumblebee se passa em 1987. No filme, refugiado num ferro-velho de uma pequena cidade praiana da Califórnia, Bumblebee, um fusca amarelo aos pedaços, machucado e sem condição de uso, é encontrado e consertado pela jovem Charlie (a sempre ótima Hailee Steinfeld), às vésperas de completar 18 anos. Só quando Bee ganha vida ela enfim nota que seu novo amigo é bem mais do que um simples automóvel.

Depois de dirigir as cinco orgias de destruição que são os demais filmes da franquia Transformers, Michael Bay volta apenas como produtor para o prelúdio. Quem assume a direção é Travis Knight, de Kubo e as Cordas Mágicas. E isso é o melhor que poderia acontecer ao filme, quiçá, à franquia.

Knight, acostumado ao mundo das animações, tem total ciência de que menos é mais, e enquanto Bay destruía cidades inteiras sem nenhum tato, ele planeja cuidadosamente a violência para fazer com que cada tomada de destruição tenha um significado importante para a trama.

A experiência de Knight na Laika faz toda a diferença. Seu olhar meticuloso, muito necessário nas animações stop-motion, conferem expressão à Bumblebee enquanto ele observa o mundo ao seu redor. A máquina irradia maravilhamento e ingenuidade apenas com o olhar, mesmo sendo um robô sem memória e sem voz (as razões para isso finalmente são explicadas aqui).

Desde o eletrizante prólogo no qual a queda de Cybertron é retratada (e acompanhamos diversos queridinhos do desenho animado dos anos 80) fica claro que Knight tem uma grande afeição por Transformers. No final, não é Michael Bay a real fonte de inspiração de Bumblebee, mas sim outro grande produtor do filme, Steven Spielberg. O resultado é um filme dos anos 80 não apenas no cenário e na estética, mas também na sensibilidade.

Bumblebee é a ode apaixonada aos brinquedos que os fãs esperavam desde o primeiro “Transformers”. Talvez de uma forma ainda melhor do que no primeiro Transformers.

Nota:

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Sobre Felipe Sclengmann
Era praticamente impossí­vel que o cinema não acabasse sendo minha paixão. Cresci no prédio onde um cinema funcionava, criado por um avô e uma avó que se conheceram trabalhando no ramo. Então, tá explicado! Falar sobre cinema é um hobbie, uma paixão, tá no meu sangue! Este é o motivo do Quadro por Quadro existir (além de aplicar os conhecimentos de uma graduação em Sistemas de Informação, a qual detesto) e ele está aí para reunir quem também ama esta arte.