QpQ Resenha | Você

“Você” é viciante e muito intrigante. Mais um acerto da Netflix!

“Vício pode ser algo complicado”, diz Joe no episódio 9. A fala não poderia caber melhor para descrever a série Você, a nova empreitada da Netflix. A produção trás de volta aos holofotes o lonely boy mais adorado de 2007, Penn Badgley, que viveu Dan Humpfrey em Gossip Girl. O galã agora está em sua forma normal, magro, que até assusta, ponto para seu personagem obscuro, sem nenhum traço de academia ou pomada de cabelo, uma aparência crua e voz penetrante. Ele vive Joe, o gerente de uma livraria que tem um histórico amoroso conflitante após seu término misterioso com Candace (Ambyr Childers) e apresenta um comportamento obcecado e muito duvidoso.

O público que a série conversa é o dos jovens adultos, entre seus 25 e 30 anos. Transita pelo território do mundo digital, onde os perfis do Instagram ditam mais quem você queria ser e tenta mostrar que é, e como é fácil julgar a superficialidade. Na trama, o lonely boy millennial repaginado conhece Beck (Elizabeth Lail), uma aspirante a escritora que cursa mestrado e vive, claro, de aparências com suas amigas ricaças e fúteis, mas não se encaixa nesse mundo por não ter as mesmas condições e por ser tão insegura que se deixa levar por qualquer elogio. O pano de fundo é de fácil identificação e usa muitas referências de memes para argumentar vários diálogos.

Nos primeiros episódios o roteiro e a direção ficam preocupados em nos prender numa trama bem simples e previsível, mas que instiga a gente a querer ver mais e mais. Todos os traquejos de diálogos de suspense possíveis são utilizados como um manual, mas isso não estraga a experiência. Conforme os episódios vão passando, nem o roteiro mais se leva a sério de tantas voltas que precisa dar para ser interessante e surpreender, e em algumas cenas o riso é solto, tamanho deboche e torcida pelo vilão/protagonista Joe. É aí que tudo começa a meio que desandar, porque o personagem de Badgley transita de psicopata para sofredor e voltamos a estaca zero com o lonely boy incompreendido.

O recurso de narração funciona como uma luva para dar mais entusiasmo e tensão à série, assim como os flashbacks do passado de Joe com o Senhor Mooney, o dono da livraria que o criou. Ajuda também a vermos a perspectiva dos personagens, que agem de um jeito, mas pensam de outro, dando ainda mais profundidade às cenas. Quem fica um pouco pra trás nessa corrida é Beck, que por mais linda e interessante, entrega uma atuação mediana e esbarra nesses conflitos estilo “White people problems” que fazem a gente torcer para que ela não sobreviva a Joe.

Com 10 episódios muito bem amarrados, a série é um deleite para os maratonistas que torciam por uma novidade que siga moldes de séries como Gossip Girl e The O.C.. Agora vale ver o que a segunda temporada reserva após um desfecho inesperado.

Nota:

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Sobre Felipe Cavalcante
Formado em RTV, fã de boas músicas e boas histórias, sempre em busca de coisas novas e empolgantes. Obcecado por super-heróis e pela magia do impossível que se torna real nas telas da TV e do cinema.