QpQ Resenha | Homem-Aranha no Aranhaverso

“Homem-Aranha no Aranhaverso” é vibrante, divertido e comovente

Todo garoto ou garota, quando vê pela primeira vez algum personagem que se identifica e que lhe mostra algo a mais através de uma máscara ou de suas atitudes, se rende a um ídolo. E isso pode parecer papo de nerd, mas se aplica em qualquer área, seja um herói do esporte, um herói político e também herói da ficção. Posso afirmar que o brilho no olho de assistir uma animação do Homem-Aranha hoje, tem ainda mais significado do que quando eu era criança.

Homem-Aranha no Aranhaverso, dirigido por Bob Persichetti, Peter Ramsey, Rodney Rothman, surgiu como uma sugestão a parte do Universo Cinematográfico da Marvel. Uma aposta da Sony e da produtora Amy Pascal em fazer algo certo por ela mesma e a ideia de uma animação coube perfeitamente pra uma nova abordagem do personagem e do seu multiverso.

Como o grande público só conhece o Peter Parker vestindo o manto do aranha, o filme resolve se antecipar e apresentar Miles Morales, personagem do Brooklyn que apareceu em 2011 no selo Ultimate e ganhou uma legião de fãs por ser negro e filho de imigrantes. É a fórmula que se repete, mas agora para um novo público, mais jovem, que não vai buscar as HQs lá dos anos 60 que ainda não tinham nenhum smartphone ilustrado.

A origem de Morales é bem fiel, com algumas mudanças sutis que ajudam muito o roteiro e não deixam situações como a morte de Peter Parker ficarem tão pesadas. Para juntar o Aranhaverso, a trama encontra uma solução simples e prática. O Rei do Crime, Wilson Fisk, já visto em carne e osso na série da Netflix do Demolidor, quer criar uma fenda no tempo para trazer de volta Vanessa e seu filho Richard, mas ao abrir esse portal, outras dimensões são desencadeadas e outros personagens do universo são trazidos para essa realidade em que Miles é o novo Homem-Aranha, então aparece o Peter Parker de outra dimensão, Gwen Stacy, o Porco-Aranha, Aranha Noir e Peni Parker.

Todos os personagens funcionam muito bem e tem seu espaço garantido na tela, a vilã Olivia Octavius é uma surpresa, assim como tia May que tem seus momentos badass, saindo um pouco daquela mesmice maternal. O foco mesmo é na emocionante trajetória de Miles. Desde a culpa pela morte de Peter e a responsabilidade de cumprir o que lhe prometeu, até sua relação com os pais e o tio. Momentos que reservam um lenço a mais pra tirar aquele cisco do olho. Agora, uma cena que faz mexer até o mais marmanjo é a famosa aparição de Stan Lee. Essa é poderosa.

Quando a gente pensa em animação, existem várias fases, a mais famosa foi a da Pixar, que criou uma forma diferente de dar profundidade aos personagens e cenários. Aqui na Sony, tudo é muito diferente, os gráficos misturam HQ com mangá, realismo, pixels, algoritmos e entrega um visual espetacular, diferente de tudo que já foi feito.

Com uma trama feita claramente com paixão pelos personagens e com vontade de acertar, que encoraja e faz você acreditar que é capaz de fazer tudo o que quer, o filme afirma que todos nós podemos ser Homens-Aranhas, que esse heroísmo está dentro de todos nós e que não há só um, podem existir vários, em diversas realidades, basta a gente acreditar. É esse tipo de mensagem que a gente quando criança, entende superficialmente, mas reconhece a profundidade de querer ser aquele herói, de brincar com os bonecos e de não desgrudar da TV quando passa o desenho daquele nosso ídolo. São belas 2 horas de diversão, emoção e renovação.

Nota:

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Sobre Felipe Cavalcante
Formado em RTV, fã de boas músicas e boas histórias, sempre em busca de coisas novas e empolgantes. Obcecado por super-heróis e pela magia do impossível que se torna real nas telas da TV e do cinema.