QpQ Resenha | Titãs

“Titãs” é jovem, violenta e celebra o Universo da DC com uma abordagem certeira

O Universo da DC nos quadrinhos foi pioneiro em muitas coisas, desde seus supervilões até as superequipes. Titãs foi uma equipe de jovens heróis criada para atrair um público mais novo para ler as HQs e também porque havia uma expectativa em ver os parceiros e prodígios dos heróis famosos encarando suas próprias aventuras. Robin, Garota-Maravilha, Kid-Flash, entre outros já integraram a equipe. Na TV esse pioneirismo também é fonte de sucesso desde Smallville, até as mais recentes Arrow, Flash e Supergirl.

A equipe da série é formada pelo Robin original, Dick Grayson (Brenton Thwaites), Ravena/Rachel Roth (Teagan Croft), Estelar/Koriand´r (Anna Diop) e Mutano/Gar Logan (Ryan Potter). A forma que eles se juntam é orgânica, sem enrolação e cada um possui sua trajetória particular onde as subtramas são bem aproveitadas para dar densidade aos personagens. Ravena é uma garota que possui uma força misteriosa dentro dela com um poder macabro e descobre da pior forma que uma seita está a sua procura. Dick, que abandonou Gotham e se mudou para Detroit acaba tomando conta do caso da garota e se vê responsável por fazer por ela o mesmo que Bruce fez por ele no passado. Estelar começa a série sem memória e no caminho coleta pistas de seu passado que a levam a Ravena. Já Mutano, acolhe a garota na casa onde mora com outras criaturas.

Por mais simples que a premissa da série seja, a cada episódio surge um herói novo que dá ainda mais gás a trama, que nunca para. Isso torna Titãs ainda mais especial, por trazer aos holofotes personagens coadjuvantes e pouco conhecidos como Donna Troy, a dupla Rapina e Columba, Jason Todd, entre outros. Como o líder do time é o Robin e sua trajetória para deixar pra trás o manto do Robin e assumir uma nova identidade como o Asa Noturna, fica impossível contar sua história sem ter o universo de Gotham e do Batman ao redor. Essa é mais uma surpresa da série, que faz a gente acreditar que ele nunca vai aparecer, mas ele aparece.

A ação é filmada de um jeito cinematográfico, isso surpreende muito principalmente nas cenas do Robin, que são as mais empolgantes, porque você se empolga com os golpes e com o desenrolar das cenas que são bem coreografadas, ao invés de só assistir ou pular, como acontece em muitas cenas sem sentido de Arrow. Outro ponto de Titãs, foi a polêmica escalação da equipe. Quem mais sofreu foi Estelar, pelo tom de pele diferente das HQs e também pelo visual como um todo, mas logo no início é calada a boca de quem falou mal apenas ao ver fotos de set, porque o cuidado com cada detalhe, entrega um resultado satisfatório em performance e efeitos especiais para a personagem.

Tendo como cabeça do negócio, Geoff Johns, o cara que reinventou a DC com os Novos 52, o futuro dos heróis da editora ganha cada vez mais possibilidades dentro das mídias. Titãs já chegou como uma série ousada, para maior de 16 anos e com o DNA forte dos quadrinhos. O roteiro e o universo foram construídos de forma inteligente, equilibrando o tom da série com easter-eggs, fan-services, uma atmosfera totalmente atual que foge da fórmula redonda das séries da CW, mas que mantém o humor, a diversão e a seriedade nos momentos necessários. Tem sangue, sexo, abuso físico e permissão para ir além em próximas temporadas com outras temáticas. Titãs entende seu público e sabe que rumo quer tomar com personagens carismáticos e contando boas histórias sem esperar o final para surpreender. É um reforço e tanto para o universo e a mitologia de heróis queridos da DC e suas possibilidades. Uma maratona mais do que bem-vinda na Netflix.

Nota:

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Sobre Felipe Cavalcante
Formado em RTV, fã de boas músicas e boas histórias, sempre em busca de coisas novas e empolgantes. Obcecado por super-heróis e pela magia do impossível que se torna real nas telas da TV e do cinema.