QpQ Resenha | A Excêntrica Família de Gaspard

"A Excêntrica Família de Gaspard" brinca com laços emocionais

Não é fácil brincar com laços emocionais, mas o diretor Antony Cordier consegue a proeza com A Excêntrica Família de Gaspard, um filme refrescante sobre laços emocionais, que conta com um senso de humor surrealista e humano.

No filme, ao receber um convite inesperado para o casamento do pai, Gaspard (Félix Moati) decide viajar até o zoológico administrado por sua família, depois de anos afastado. Ele pede para Laura (Laetitita Dosch), uma jovem exuberante, acompanhá-lo no evento, como se fosse sua namorada. Mas o que promete ser uma reunião familiar conturbada para Gaspard é, na realidade, uma oportunidade única de reviver os momentos incríveis de sua infância, ao lado dos animais que o viram crescer.

Ao definir o cenário de A Excêntrica Família de Gaspard como um zoológico, Cordier se volta para o lúdico paralelamente em que brinca com as personalidades de seus personagens em antítese.

O cineasta demonstra, desde a primeira cena, sua atração por um universo onde, mesmo numa comédia, a tensão psicológica não deixa de existir. E isso traz uma originalidade charmosa para a comédia, que se torna uma mistura de gêneros: A Excêntrica Família de Gaspard é, sim, uma comédia em suas raízes, mas não deixa de ser um romance e um drama sobre herança, passando ainda por uma espécie de conto de fadas e documentário sobre a natureza. Ufa!

A mistura de gêneros e assuntos traz ousadia ao longa (ao fugir da forma normal estabelecida para a narrativa cinematográfica), abraçando uma boemia e despretensão na hora de contar a história de Gaspard. Puristas vão detestar, mas se o cinema fosse feito para eles, já teria deixado de existir!

Tocando até em assuntos delicados como até sentimentos incestuosos, o filme pode ser visto como um pout-pourri de sensações, uma montanha russa de sentimentos (mas a vida cotidiana não é isso?).

Nota:

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Sobre Felipe Sclengmann
Era praticamente impossí­vel que o cinema não acabasse sendo minha paixão. Cresci no prédio onde um cinema funcionava, criado por um avô e uma avó que se conheceram trabalhando no ramo. Então, tá explicado! Falar sobre cinema é um hobbie, uma paixão, tá no meu sangue! Este é o motivo do Quadro por Quadro existir (além de aplicar os conhecimentos de uma graduação em Sistemas de Informação, a qual detesto) e ele está aí para reunir quem também ama esta arte.