QpQ Resenha | Na Delegacia

Um homem comum vive um dia regido pela lei de Murphy nessa comédia surreal de humor negro ambientada nos anos 70

Um filme surpreendente, a isso se resume Na delegacia. Irreverente, imprevisível e hilária, essa comédia de humor negro dirigida por Quentin Dupieux é uma bela surpresa dentre comédias francesas cada vez mais próximas ao padrão americano. A começar pela cena de abertura surreal, que incita risos e incredulidade. É apenas uma prévia do que vem pela frente.

Sr. Fugain (Gregoire Ludig) se encontra em uma delegacia, a altas horas da madrugada, prestando depoimento ao comissário Buron (Benoit Poelvoorde) por ter encontrado um corpo na frente de seu prédio, ligado para a polícia e depois ido dormir. Por suspeitar de tal atitude, o comissário então o cobre de perguntas e não lhe dá nada de comer.

Segue um número interminável de interrupções e saídas, que impedem ao comissário concluir sua investigação. E acontecimentos que vão desde o bizarro até o verdadeiramente surreal. Um dos aspectos mais interessantes do filme, porém, é a própria narrativa. O diretor parece se divertir brincando com o espectador. O comissário Buron critica a narração de seu suspeito, por ser tediosa e fazê-lo duvidar da culpa de Fugain, para em seguida afirmar novamente sua culpa.

Fugain, um homem alto, que ostenta um bigode e um cabelo dignos do Tom Selleck no seriado Magnum P.I., fica recluso à sala da delegacia, mas ao narrar as lembranças da noite anterior, tem liberdade de ir e vir – e até falar consigo mesmo e com os personagens que acabou de conhecer na delegacia em suas lembranças em um diálogo dentro de uma espécie de sonho acordado.

À semelhança de A Origem, que mostrava um sonho dentro do sonho dentro do sonho, aqui o absurdo é tão real e ao mesmo tempo surreal para o personagem que o espectador não tem escolha a não ser embarcar nesse “realismo fantástico” bem-humorado. Abandone suas crenças e se entregue a essa aventura simples e engenhosa sobre um dia em que a lei de Murphy reina na vida de um cidadão que não comete crimes rs

Nota:

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Sobre Marcela Sachini
Libriana (portanto, indecisa), sou viciada em seriados (inclusive sul-coreanos), apaixonada por idiomas, música e literatura. Moraria em Notting Hill com toda a certeza, só esperando um convite do Henry Cavill para isso. Fui ao cinema pela primeira vez com 6 anos. Foi amor à primeira vista, desde então não parei mais.