QpQ Resenha | Sangue Ruim

“Sangue Ruim” fala da intensidade das relações humanas e não perdoa

Sangue Ruim fala da intensidade das relações humanas e não perdoa, mostra o que há de bom e o que há de desesperador nos sentimentos.

Grandes filmes merecem ser relembrados e revistos sempre. Especialmente os que conseguem se tornar atemporais e transformar assuntos simples em reflexões singelas do cotidiano. Sangue Ruim, lançado em 1986 e dirigido por Leos Carax, é um desses filmes e participa do My French Film Festival de 2019.

Marc (Michel Piccoli) e Hans (Hans Meyer) tem algumas dívidas para acertar com uma mafiosa americana. Além de deverem dinheiro para a mulher, eles acreditam que ela tenha matado seu amigo Jean, como forma de ameaça. Ao se verem sem o amigo, os dois se voltam para o filho dele, Alex (Denis Lavant), e pedem que ele participe do golpe que os três haviam planejado: roubar de um laboratório o vírus que assola o mundo devido à passagem a cometa Halley, e mata aqueles que fazem sexo sem amor.

De início acredita-se que a trama retrata somente uma conspiração, afinal todos os elementos estão ali: um grupo de amigos, as dívidas, o dinheiro, o plano, os bons e os maus. Mas conforme as cenas vão se desenrolando, e na história, a Terra gira acompanhada pelo cometa Halley e sofre seus supostos efeitos, percebemos que o foco é a intensidade das emoções, principalmente o amor.

As relações entre os personagens, os sentimentos, a interpretação que se dá para eles, a maneira de expressá-los, com gestos, ações ou no diálogo, tudo é amplificado sobre um cenário dividido em ser teatral e cinematográfico. E, além disso, o recorte e o modo como as cenas foram colocadas juntas ajuda nessa amplificação, pois são poucas aquelas com planos bem abertos, a maioria foca em um ponto específico, muitas vezes nos olhos dos personagens, em suas mãos ou no rosto. E isso pode limitar a interpretação do público sobre o que está sendo mostrado, mas ao mesmo tempo deixa muito claro que algo intenso está acontecendo e que deve-se prestar atenção em cada piscadela.

Nota:

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Sobre Thais Wansaucheki
Publicitária descendente de ucranianos que além de cinema nunca dispensa um bom Chai. Como curitibana da gema, aproveito os (raros!) dias de sol andando de bicicleta e os dias de frio com livros, HQs e receitas de doces! Sem falar das horas de conversas com amigos que independem do clima. Adoro balões e sou fã e jogadora incansável de Tetris.