QpQ Resenha | Selvagem

"Selvagem" é um atípico estudo de personagem

Procurando amor em cada homem que paga pelos seus serviços, o protagonista de Selvagem deflagra sentimentos que não conseguimos discutir em almoços familiares de domingo.

Leo, um rapaz de 22 anos, acostumado a se prostituir e realizar fantasias eróticas inusitadas é o protagonista de Selvagem, interpretado por Félix Mauritaud. Difícil de ser domesticado, Leo dorme na rua, na casa de seus clientes, onde pode descansar. Furta alimentos, bebe água derramada na calçada, se comporta como um cão sem dono. É apaixonado por seu amigo Ahd, personagem de Eric Bernard, que só pensa em conseguir alguém para ser bancado, ignorando os sentimentos de Leo. Seu vício em crack não permite que ele perceba seu problema de saúde, sua falsa vida amorosa, seu auto abandono.

Fugir do padrão de felicidade imposto pela sociedade parece ser o único jeito de viver para esse jovem michê. Festas promíscuas são momentos oportunos para o rapaz conseguir clientes que paguem bem. Quanto mais perigoso ou atípico, mais satisfatório.

Há “Leos” vivendo e trabalhando em cidades como as nossas, muito próximos das nossas realidades, e o fato da prostituição ter crescido ao longo dos anos se torna ainda mais impactante e alarmante após assistir Selvagem. É a arte do cinema te fazer aprender e criar empatia, mesmo com um personagem tão cheio de falhas.

Selvagem têm nudes, masoquismo e tortura calculados para nos levar a sentimentos intensos, dolorosos, prazerosos e singulares. É um filme que vai ficar na sua cabeça, mesmo depois que a projeção terminar.

Nota:

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Sobre Fabricio Vilela
Goiano que odeia pequi. Apaixonado por animações, ficções científicas, curtas-metragens e dramas. Fui pela primeira vez ao cinema para assistir Titanic. Trabalho com educação ambiental e vejo no cinema um mecanismo de mudança.