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Resenha │ Frank

16.04.2015 │ 21:01

O vocalista e mentor de uma banda que usa uma cabeça de papiêr-mâché gigante, com um expressão que lembra os personagens da Betty Boop, considerado um gênio musical, criando elementos atmosféricos e barulhentos, parece um personagem nonsense de um filme do Michel Gondry. Mas se prestarmos mais atenção, o mundo da música, da ficção, e na vida real mesmo, são repletos desses elementos que flertam entre o sem sentido e o comum e é exatamente disso que Frank (2014), do irlandês Lenny Abrahamson trata.
Jon é um jovem tecladista e compositor que sonha em ser um grande artista. Sem talento algum ele fica entre ter um emprego medíocre e as tentativas de criar alguma coisa. Em uma ida à praia Jon encontra um homem que tenta cometer suicídio se jogando ao mar, após socorrer esse homem ele descobre que o cara era tecladista de uma banda e acaba o substituindo. A Soronpfbs é uma banda que tem como base Frank, um cara genial, idolatrado pelos membros da banda e que usa uma cabeça enorme, cômica, e aparentemente é ela que dá um sabor de genialidade para Frank. A banda segue viagem para o interior da Irlanda para gravar um disco e Jon larga toda a sua vida apática para viver por um ano nesse retiro nada espiritual.
Narrando suas tentativas de ser mais criativo e fazer parte da banda comDesde a gravação do disco nesse lugar inóspito até a fama imediata, a partir do momento em que Jon começa a postar vídeos das gravações no Youtube, “Frank” vai se construindo como um filme sobre como pessoas lidam com o interno e o externo, com o outro e a si mesmo. A Soronpfbs se torna um fenômeno da noite para o dia, com milhões de pessoas acessando os vídeos e imagens postados por Jon e em seguida são convidados a participar do festival South by Southwest, conhecido por apresentar bandas novas e promissoras ao grande público. Mas existe uma grande diferença em ser um sucesso por trás de uma tela e em mostrar isso ao vivo para um público, muitas vezes pouco interessado no que você faz de verdade.o um verdadeiro membro – ele é constantemente lembrado por Clara, responsável pelo theremin e outros ruídos, que ele é apenas um substituto sem talento – Jon tenta encontrar o seu próprio caminho. O enredo de “Frank” gira em torno dessas pessoas cheias de peculiaridades. Explorando a ideia de que é o bizarro que atrai as pessoas a prestarem atenção na arte, o filme foca justamente na construção da banda como um projeto em que cada integrante lida com suas próprias frustrações e anseios.
Chegando ao contexto externo “Frank” começa a se desenvolver como um longa sobre conflitos. O gênio protagonista passa a ser um alvo fácil de ser atingido, um ser humano bem mais comum do que os colegas de banda acreditavam e assim o personagem vai saindo de seu altar de ídolo e se transforma no simplório homem, com transtornos mentais e rosto comum, interpretado por Michael Fassbender, que aliás está excelente no papel do protagonista.
O longa faz um misto de homenagens, desde o personagem cômico britânico Frank Sidebottom até um dos ídolos da música alternativa dos anos 90, Daniel Johnston, que tem autismo e era considerado gênio para artistas da época como Kurt Cobain. “Frank” traz questionamentos pertinentes que vão desde a produção de arte, o ego de um grupo de artistas juntos e a doença mental como barreira de se viver plenamente. Quem nunca quis adotar uma outra persona e usar uma máscara – mesmo que fosse imaginária – para poder agir com mais liberdade?

Frank

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