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Resenha │ O Caseiro

23.06.2016 │ 09:08

Filmes de terror que envolvem crianças e casas mal-assombradas são sempre felizes na escolha do tema. O Iluminado quase mata a gente com aquelas duas gêmeas sangrentas, menininha entrando na porcaria da TV em Poltergeist parece fofa, mas é assombrosa, e os dois episódios de Invocação do Mal tem bastante criança e assombração pra provar que o lance funciona. E seguindo esse sucesso todo (e querendo nos assombrar), o brasileiro O Caseiro, dirigido por Julio Santi, é muito feliz na ideia: tem um monte de crianças, um fantasma, uma casa isolada (no meio do mato e com portas de vidro, facinho de evitar que fantasmas entrem!), mas ficou devendo alguns pontos na execução.
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No filme, Renata (Malu Rodrigues) procura a ajuda de um professor universitário, Davi (Bruno Garcia), que escreve sobre histórias de fantasmas que ele provou não serem histórias de fantasma (dá pra ver o tipinho cético do cara, né?), pra investigar uma história de fantasmas. O que acontece é que o pai de Renata, Rubens (Leopoldo Pacheco), acredita que um antigo caseiro, que se matou ali há mais de 30 anos, está assombrando sua família. Então Davi tira um fim de semana para ir à chácara, um lugar bastaaaaaante isolado à beira de um lago, e lá conhece o pai de Renata, a tia Nora (Denise Weinberg) e as irmãs mais novas, incluindo Júlia (Bianca Batista), que está cheia de hematomas que o pai alega serem causados pelo tal fantasma.
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Bacanérrima a história, né, não? E fica cada vez melhor, sério. E o final é surpreendente e tal. Tudo lindo e primoroso. O que faltou? Faltou o terror! O clima está perfeito, dias chuvosos, cinzas, trilha sonora de filme de terror, clima pesado, tudo pra ganhar. Mas um emaranhado de coisas não ajudaram: a câmera e a edição foram duas delas. Muitos timings de filme de terror não foram respeitados, minha gente! A gente que é fã acaba sentindo falta. Por exemplo, quando Davi está dormindo, Júlia aparece ao lado de sua cama. Normalmente, esta cena teria um corte rápido, do rosto tranquilo de Davi, dormindo, para Júlia, ao pé da cama. Ao invés disso, a câmera passeia tranquilamente por toda a extensão da cama, e foca em Júlia. Como se aquilo fosse normal, não inesperado. Triste. Além dessas coisas, a atuação das meninas menores é ruim mesmo, e isso atrapalhou um pouco o ritmo do filme.
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Mas aí você vai dizer, poxa, sério, tudo isso, então o que sobrou? Ah, a história. Ela é genial. E tem uns momentos tensos, por exemplo quando Davi entra na casa do tal caseiro à noite. Cara, eu quase tive que cobrir o rosto, ficou tenso mesmo. Também não dá pra deixar de elogiar o regionalismo do filme! Usar o caseiro, a chácara e outros elementos foram bem originais e deixaram o filme bem brasileiro. E o final, como eu disse, é sensacional, então acaba fechando tão bem o filme que você perdoa os vacilos (Davi caminhando tranquilamente no escuro, aí só quando ele quase tropeça na casa do caseiro ele a vê e caminha em sua direção? Risível!).
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Mas o filme vale a pena mesmo. Tem que conferir, caro fã de terror, ainda mais quando é produção nacional. Nosso cinema tá ficando cada vez melhor, e esperamos encher os bolsos dos produtores de O Caseiro pra que mais outros milhões de filmes de terror nacionais pipoquem nas telonas do nosso Brasilzão (e quem sabe até sejam exportados, oras bolas!).
Nota:

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O Caseiro

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