10 Filmes para comemorar o aniversário de Alfred Hitchcock

20.08.2020 │ 17h45

Para comemorar o aniversário do mestre do suspense, que tal uma listinha de 10 filmes para curtir a data junto com o diretor?

Com quase 60 filmes em 6 décadas de carreira, indo do cinema mudo ao falado, do preto e branco para as cores, a gente pode afirmar que Hitchcock viveu muita coisa no cinema. E inventou muita coisa, experimentou muita coisa (inclusive participar de todos os filmes que fez). Deixou, definitivamente, sua marca no cinema.

E hoje esse diretor bacanérrimo, inspiração para muitos outros que se seguiram, está de aniversário. Alfred Joseph Hitchcock nasceu em 13 de agosto de 1899 na Inglaterra (uma vez tentei encontrar a antiga casa dele e me perdi em um lugar meio esquisito, mas hoje em dia, com Google e tal, fica fácil de conhecer onde o mestre do suspense nasceu.

E para comemorar os 121 anos do diretor mais incrível de suspense que já existiu (não concorda? Sou toda ouvidos :D), que tal uma listinha (porque aqui no Quadro por Quadro amamos listinhas!!!) de 10 filmes para você assistir (ou reassistir) para comemorar a data? Não esqueça de deixar sua opinião nos comentários!

Janela Indiscreta
(Rear Window)
Direção: Alfred Hitchcock
Elenco: James Stewart, Grace Kelly, Wendell Corey e outros
Hoje em dia - porque todo ano mudo de opinião –, esse é definitivamente meu filme favorito do Hitch. Não porque tenha ficado mais romântica, ou porque histórias edípicas não me intriguem mais, mas Janela Indiscreta é para mim hoje o filme mais completo de Hitchcock. Meticulosamente calculado e feito à perfeição (tudo que vemos é um puta cenário construído para ter controle total durante as filmagens), o filme ainda conta com a futura princesa de Mônaco, a maravilhosa Grace Kelly, e os figurinos de Edith Head (homenageada em Os Incríveis na personagem Edna Moda). Ou seja, perfeito.

Preciso assistir porque: este é um filme de Hitchcock que normalmente agrada todas as audiências porque tem doses boas de mistério, suspense, romance e comédia. Você vai se divertir assistindo até mesmo com a sua mãe (nada contra a sua mãe, principalmente se o filme preferido dela for Psicose, hum hum). Além disso tem o divo James Stewart, e a princesa (já mencionei?), e o filme te deixa em uma tensão danada. Destaque pra cena do Jeffrey sendo descoberto pelo vizinho – quem nunca se imaginou no lugar do Jeffrey, em uma sala de cinema ou em casa, sendo descoberto espiando a vida alheia? Boom.
Psicose
(Psycho)
Direção: Alfred Hitchcock
Elenco: Anthony Perkins, Janet Leigh, John Gavin e outros
Não sei nem o que falar sobre este filme que já não tenha sido dito, mas vou arriscar. Esta obra-prima do cinema pode não parecer tão assustadora hoje, mas o suspense continua lá. E como reagir a um diretor que mata a atriz principal em menos de 30 minutos de filme? Ou que fez uma campanha de marketing incrível, proibindo as pessoas de entrarem no filme depois que ele já havia começado, ou pedindo para que elas não contassem aos amigos o segredo do filme. Hoje em dia todo mundo sabe tudo sobre Psicose (até os Simpsons já fizeram paródia com o filme, socorro!), mas ainda vale a pena conferir este clássico.

Preciso assistir porque: destaque para a cena do chuveiro. Mas tenta se concentrar no seguinte quando for rever o filme: a cena do chuveiro foi planejada para ser silenciosa, mas Bernard Herrmann convenceu Hitchcock (a muito custo) a ouvir a sequência que tinha composto para a cena. O resto é história. Mas além dos violinos ensandecidos, note que não tem mais nenhum diálogo, desde o momento que Marion começa a fazer contas até quando o carro afunda no pântano, a não ser o “Mother! Oh God, mother! Blood! Blood!”.
Um Corpo que Cai
(Vertigo)
Direção: Alfred Hitchcock
Elenco: James Stewart, Kim Novak, Barbara Bel Geddes e outros
De todos os filmes do Hitch, eu acho esse o mais elaborado. Ele é um pouco lento, tem uma aura mística (ele é baseado na obra D'entre les morts – Entre os Mortos), mas caramba, ele é o que mais te deixa inquieto. Entre mortos e fantasmas, a história te faz ficar curioso até o fim – que é mais inesperado que eu poderia contar com Hitch.

Preciso assistir porque: desde a estética do filme, o figurino, as cenas muito bem planejadas, até a história bem amarradinha, este é um dos filmes mais elaborados do Hitchcock. Não é pra todo mundo, mas vale arriscar. E a paisagem de São Francisco, como pano de fundo, com a ponte Golden Gate, é de tirar o fôlego. E como Martin Scorsese comentou certa vez, o filme é único, e traz um herói levado às últimas consequências pela obsessão. Não pela moral, bondade, inteligência que possui, mas pela obsessão. E isso não é muito comum. Bem-vindo ao mundo de Hitchcock.
Intriga Internacional
(North by Northwest)
Direção: Alfred Hitchcock
Elenco: Cary Grant, Eva Marie Saint, James Mason e outros
Este é um dos filmes que mais gosto do Hitchcock, pois tem tudo: aventura, suspense, romance, música boa, gente bonita. Você realmente sofre com o coitado do Roger O. Thornhill (Cary Grant), que fica correndo pelos Estados Unidos enquanto tenta provar sua inocência. Uma das cenas de destaque acontece durante o leilão, quando Thornhill começa a dar lances em peças sendo leiloadas para impedir que seja morto ali mesmo pela quadrilha que está perseguindo ele. A cena vai crescendo e ficando mais dramática, até que Thornhill consegue ser preso por desordem.

Preciso assistir porque: Cary Grant, Cary Grant, Cary Grant.
Se não for razão suficiente, tem também a trilha sonora do Bernard Herrmann, créditos iniciais de Saul Bass, ou seja, um Hitchcock bem tradicional.
O Terceiro Tiro
(The Trouble with Harry)
Direção: Alfred Hitchcock
Elenco: John Forsythe, Edmund Gwenn, Mildred Natwick e outros
Esse é meu guilty pleasure com o Hitchcock. Amo comédias de humor negro, e esse aqui pra mim é bem a cara do diretor. Eu odeio que seja considerado um dos piores filmes, um dos mais desconsiderados. Chamam ele de estranho, surrealista, uma porção de coisas. Mas prefiro entendê-lo como à frente de seu tempo e experimental – apesar de entender que pelos inúmeros story boards que Hitch deixou, o que ele não curtia era experimentar.

Preciso assistir porque: um corpo é encontrado em uma cidade pequena e as pessoas estão incomodadas com isso, mas não da maneira correta. E esse corpo vai dar muito que falar, a galera vai tropeçar nele, filosofar sobre ele, fazer tudo menos o que deveria ser feito no mundo real. Vale a pena assistir, basicamente, para ver Hitch sendo experimental (no limite do diretor freak control).
Rebecca, a Mulher Inesquecível
(Rebecca)
Direção: Alfred Hitchcock
Elenco: Joan Fontaine, Dame Judith Anderson, Melville Cooper e outros
Gente, que título é esse? Se me falassem que era um Hitchcock e eu não conhecesse, eu ia rir na cara do cidadão. Como assim, com esse nome? Mas é. O primeiro filme de Hitch nos Estados Unidos (sabia que o diretor é inglês?), que já lhe rendeu uma indicação ao Oscar de Melhor Diretor de cara (que ele nunca ganhou, mas recebeu aquele prêmio de consolação que a Academia dá pra quem tem uma obra foda como ele – veja o discurso dele recebendo, é o melhor), vale a pena ser visto.

Preciso assistir porque: pra começo de história, Rebecca é o nome de uma mulher morta na história, que fica assombrando uma moçoila (cujo nome nunca é revelado, pois importante mesmo era Rebecca…) que decidiu casar com um viúvo rico e bonitão. Ou seja, muita intriga, perseguição e fantasmas entram na história.
Festim Diabólico
(Rope)
Direção: Alfred Hitchcock
Elenco: James Stewart, John Dall, Farley Granger e outros
Hitch gostava de ter tudo sob controle durante as filmagens de seus hoje clássicos, mas ele também experimentava, e gostava de criar e vir com técnicas muito avançadas pra época. Em Festim Diabólico ele não economiza energia para fingir que o filme é um eterno plano-sequência (apesar de notarmos os cortes, principalmente nas costas dos personagens, a cada 4-10 minutos), todo ensaiado e milimetricamente demarcado, em um cenário móvel, com diorama enorme na janela, com nuvens em movimento. Coisas de mestre.

Preciso assistir porque: é muito divertido acompanhar os planos-sequência ao longo do filme, principalmente quando você lembra que estamos falando de 1948 e as câmeras eram imensas. Mas o mais incrível é realmente a história: falei de O Terceiro Tiro acima, e como o tratamento dado ao corpo encontrado foi tão surreal que o filme beira o ridículo. Mas em Festim Diabólico é diferente: aqui temos um corpo propositalmente colocado em uma caixa, que serve como mesa em uma festa que congrega os conhecidos do morto. Oi? É, é isso mesmo. E os assassinos serão pegos? Isso importa mais do que saber qual seria a reação das pessoas quando souberem (se souberem) que estavam jantando em cima do corpo de um amigo/ente querido? Corre assistir!
A Sombra de uma Dúvida
(Shadow of a Doubt)
Direção: Alfred Hitchcock
Elenco: Teresa Wright, MacDonald Carey, Joseph Cotten e outros
Como Hitchcock passou por muitas épocas e estilos diferentes do cinema, conseguimos ver muitas experimentações aqui e ali. E A Sombra de uma Dúvida não é um puta exemplo de experimentação, mas é um Film Noir incrível.

Preciso assistir porque: a história é simples, mas intrincada (faz sentido, meo deos?): Charlie idolatra seu tio até começar a duvidar que ele é realmente o cara que ela pensa que é (adoro essa brincadeira com os nomes iguais). Vale a pena segurar, e se deixar ser manipulado, até o fim deste que, segundo algumas fontes, foi o filme preferido de Hitch.
Pacto Sinistro
(Strangers on a Train)
Direção: Alfred Hitchcock
Elenco: Farley Granger, Ruth Roman, Robert Walker e outros
Que tal fazer um pacto com um estranho, em um trem, para que cada um mate uma pessoa que está incomodando a vida do outro? Parece um plano simples e infalível na década de 1950, sem toda tecnologia forense e tal, mas vale lembrar que esse é um filme de Hitchcock, ou seja, dar alguma coisa errada é regra.

Preciso assistir porque: pra variar, você vai colar na cadeira até que o filme acabe, e o final seja revelado. E aqui temos um exemplo clássico de um MacGuffin (o isqueiro que o Guy ganha da Anne), um termo que ganhou popularidade com Hitchcock (ele descreveu como um nada, mas hoje é um objeto que motiva o protagonista). Ah, esse Hitch!
Os 39 Degraus
(The 39 Steps)
Direção: Alfred Hitchcock
Elenco: Robert Donat, Madeleine Carroll, Lucie Mannheim e outros
Falamos de tantos clássicos nesta retrospectiva para comemorar o aniversário do Hitch, mas não podíamos deixar de mencionar esse (que também é um clássico) filme de seu período na Inglaterra. Esse filme de espiões e perseguições foi reinventado com Intriga Internacional, anos mais tarde nos Estados Unidos, pois Hitchcock sabia que a fórmula funcionava. E ainda funciona.

Preciso assistir porque: o filme é um clássico (já mencionei isso?), preto e branco (não desanime!!!), e o último de Hitch na Inglaterra (ou seja, em seu melhor momento, com mais liberdade como diretor e tal). Vale, vale sim. Vai lá!

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