Eu, Olga Hepnarová

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16.02.2017

É chocante a brutalidade física, porém muito mais a verbal, exposta em "Eu, Olga Hepnarová"

O que leva uma pessoa a assassinar brutalmente quem estiver no seu caminho ao passar um caminhão em cima de uma calçada cheia de gente? Essa é a motivação do filme Eu, Olga Hepnarová, revelar o que está por trás da assassina em massa dos anos 70.

Se você também desconhecia a história dessa moça tchecoslovaca, vamos aos fatos. Olga Hepnarová foi a última mulher da então Tchecoslováquia a ser morta por enforcamento (pequeno spoiler, mas não tanto, já que faz parte da História). Uma moça bonita, porém solitária e com um ódio pela humanidade, por todos ao seu redor, com sérios distúrbios psicológicos. Seu crime foi tão estarrecedor pelo grau de premeditação e sangue frio mostrados ao cometê-lo.

Mas toda história tem seus dois lados e vemos o quanto Olga se sentia deslocada do mundo desde sempre. Aos 13 anos, vítima de bullying verbal e extremamente físico, uma tentativa de suicídio falha tem uma réplica bastante dura e cruel de sua mãe. Mais tarde, Olga tem a chance de explorar sua sexualidade, começa a sair com mulheres (no filme é retratada como lésbica, mas Olga saía com homens e mulheres), mas é rechaçada com o argumento de que se veste de forma muito masculina, sendo impossível despertar o desejo alheio.

É chocante a brutalidade física, porém muito mais a verbal, exposta nesse filme. Eis aqui o lado B de Olga Hepnarová, uma janela para sua psique, para tentarmos entender o porquê de tamanha façanha. Embora o trailer induza a conclusão de ser um filme barulhento e intenso, podemos ver que intensidade é seu forte em detrimento do ruído. Sem trilha sonora e com constantes closes em suas expressões faciais, o enfoque é que o espectador testemunhe a história de Olga, com todos os seus pormenores.

A história se passa nos anos 50 a 70, mas, com sua estética em preto e branco, a impressão é quase onírica, como se estivéssemos presenciando um sonho (ou pesadelo) sobre a vida desta moça. Devaneio se não seja pelo excesso de brutalidade que não temos cor aqui, como se os tons de preto, branco e cinza suavizassem e ao mesmo tempo potencializassem o argumento. Não deixe de ver esse filme absolutamente intenso e visceral que interpreta o que se passa por trás da cabeça de uma assassina em série.

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AUTOR

Marcela Sachini

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