A Paris Filmes leva aos cinemas um novo longa de origem russa, baseado no livro da escritora Anna Jane, que aposta em uma história de romance adolescente cercada por conflitos.
Polina (Veronika Zhuravleva) está se adaptando à nova cidade e, quando começa a frequentar a escola e parece finalmente encontrar algumas amigas, também passa a enfrentar uma rotina de bullying. Para impedir que a situação se agrave, ela faz um contrato com Bars (Daniel Vegas), o aluno misterioso e aparentemente perigoso do colégio, envolvendo proteção e um relacionamento de fachada. O que começa como um acordo conveniente, porém, logo deixa de precisar de fingimento, quando os dois percebem que a preocupação e o interesse entre eles já são reais.

O grande problema de Coração Partido é que, na tentativa de escapar do tradicional drama adolescente, o filme acaba justamente preso aos clichês mais conhecidos do gênero. Polina é a típica protagonista inocente, branca, desastrada e incapaz de enxergar maldade à sua volta, enquanto Bars aparece como o clássico bad boy de fachada: roupas escuras, poucas palavras e uma origem privilegiada que ele faz questão de esconder. É difícil encontrar alguma novidade quando os personagens parecem ter sido montados a partir de características tão comuns.
A falta de naturalidade também aparece na própria construção do longa. Os cenários são artificiais, a direção dos atores não consegue encontrar muita espontaneidade e alguns recursos utilizados para provocar emoções não saem do básico, como o slow motion nas cenas trágicas e os zooms acelerados para criar surpresa ou choque. O resultado é uma produção que, em alguns momentos, parece mais próxima de uma história construída para o TikTok do que de um romance pensado para o cinema.

E é uma pena, porque até existe material para uma história mais interessante. Relacionamentos abusivos, violência, vulnerabilidade, dificuldades familiares e bullying são temas importantes, mas ficam completamente na superfície. As questões estão presentes, mas não se desenvolvem, ficando presas em personagens estereotipados e uma narrativa que reproduz mais do mesmo sem questionamento.
Dirigido por Mikhail Vaynberg e roteirizado por Anna Dzheyn, Mariya Elisovetskaya e Marianna Kadrzhanova, o filme não consegue transformá-la em algo que ultrapasse o romance adolescente mais previsível. Talvez seja uma daquelas histórias que funcionem melhor no livro, onde a imaginação do leitor pode preencher aquilo que as telas não conseguiram construir.








