IMO

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14.03.2025

"IMO": Passados enigmáticos em busca de enfrentamento

IMO, de Bruna Schelb Correa, se propõe a retratar três histórias de diferentes mulheres e o que as aflige internamente. Correa assume o desafio do cinema mudo de cativar a atenção e provar seu ponto pela imagem. O resultado prático, são diversas metáforas e símbolos para o sacrifício feminino na sociedade, que se perdem em planos longos e deixam o público nas mãos de um apelo estético que pouco contribui para o desenvolvimento da história e mantém suas personagens distantes e dificeis de acessar.

Cada uma das partes do longa apresenta uma imagem simbólica dos conflitos de cada personagem. Encontram-se também, alegorias aos desafios da mulher como, a amputação social e a liberdade restrita, a cegueira consciente, em troca de uma “tranquilidade” ilusória, e o sofrimento feminino como algo socialmente aceito e consumido como um banquete indiscriminado. Essas metáforas, embora interessantes, não se desdobram completamente no filme, deixando a impressão de que a intenção artística é mais importante do que a construção das personagens.

No entanto, o que poderia ser um grande resultado se perde na busca pela estética pura. A junção de planos de detalhe e imagens do cotidiano de cada mulher, que parecem buscar tensão emocional das personagens, acaba por gerar uma experiência mais maçante do que reveladora. O visual, embora impactante e essencial em um bom filme, não é suficiente para sustentar uma história. Não basta uma sequência de imagens bonitas ou provocativas para criar um filme marcante; é necessário um roteiro que se sustente e desenvolva suas ideias de forma clara e coesa, algo que IMO falha em entregar.

A tentativa de provocar uma reflexão profunda é evidente, mas a execução não faz jus à ambição do projeto. Em vez de conduzir o espectador a um entendimento mais profundo das personagens, o filme se perde em seus próprios excessos e atuações de pouca força, como se a complexidade das questões abordadas fosse mais importante do que a forma de comunicá-las. O que resta são mulheres cujas dores são expostas, mas sem a clareza de suas jornadas internas.

ONDE ASSISTIR

AUTOR

Melissa Pasqualli

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