Não dá pra negar que vivemos tempos em que onde se vê o nome Walter Salles já entramos em frenesi pra saber do que se trata e onde o diretor pairou seu olhar. Como se toda obra elaborada e dirigida por nosso premiado cineasta fosse um grande deleite.

Então é óbvio que Jia Zhangke, um Homem de Fenyang é algo para ser apreciado, e que peculiaridade essa um grande cineasta resolve contar a história de outro grande cineasta, diretamente do Brasil para a China, que pode-se imaginar um catatau de diferenças. Mas na verdade sabemos que ninguém aqui e nem lá é padrão, nada é padrão Hollywood e nesse caso a afirmação é realmente um elogio, afinal o cinema precisa abraçar o mundo e deixar de ter um tipo e modelos únicos.
Walter se propôs a andar pela China acompanhando Jia e numa bela imersão sobre as locações de seus mais conhecidos e tocantes filmes, cidades como: Fenyang, Pingyao, Pequim entre outras. E que interessante esses lugares e a preocupação de Jia em mostrar e contar o porquê de escolher cada ponto, cada local de filmagem e o porquê do seu contexto em cada filme rodado. è um olhar para a cultura local e costumes e um jeito próprio de entender que mesmo o cinema chinês sofre variações eurocêntricas, por isso a preocupação do diretor fazer algo tão diferenciado e emocionante em suas obras.

Jia aproveita o momento para incluir depoimentos de sua família e mostra sua popularidade e isso é tão bom, afinal alguém famoso na China é realmente alguém para se considerar muito popular no mundo, principalmente falando em números.
Jia tem sensibilidade no que produz e Walter sabe transmitir isso para o bom português brasileiro. Uma obra tão diferente, mas de grande aprendizado. Dois homens de talento como poucos.




