A Bruxa

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21.03.2016

Baseado em fatos reais e foclore, o filme constrói uma história assustadora e surpreendente.

Os contos folclóricos existem por algum motivo, seja por invenção ou coleção de fatos e vivências que colocam as pessoas a espalharem tais acontecimentos, que por vez se tornam mitos ou ditados. Enfim, o mesmo acontece com as histórias contadas em volta da fogueira numa noite de acampamento ou também numa festa do pijama. Alguns documentos sobre esse tipo de fábula foram encontrados e coletados, transformando as invenções em algo concreto. Tais fatos levaram a equipe do filme A Bruxa, a buscar por respostas e criatividade visual para colocar tudo isso em celuloide.


Escrito e dirigido por Robert Eggers, o filme conta a trajetória de uma família que viveu nos anos 1630 e que teve seu caminho tomado por ameaças de bruxaria, possessão e encantamentos. Nessa trama, cada membro da famí­lia é colocado contra o outro, e assim a subjetividade toma lugar e o curso dos eventos acontecem a favor do mal. Afinal, como descrever o filme, se não com subjetividade? O clima tenso e claustrofóbico, não mostra muito da ameaça, mas nos faz imaginar de que forma aquilo pode existir, e acredite é feio demais. Um tema desse sugere um milhão de interpretações e respostas, então é assim que o filme lida com o oculto.


Claro que os sustos são bem vindos para valer o ingresso do cinema, mas o objetivo aqui é impressionar de uma maneira pesada os acontecimentos supostamente reais desses contos sobre essa famí­lia. A religião e o pecado original também são contrapontos para a trama, que tem uma visão muito peculiar sobre eles serem pecadores e buscarem a salvação em Cristo. O diabo por sua vez, também é uma ameaça real para as crenças da famí­lia. Mas aí­ você pergunta, e a bruxa? Bom, a presença dessa entidade é da mais simples possí­vel. Estamos falando de uma mulher que entrega sua alma ao diabo para servi-lo e pronto, seu destino será esse. Exatamente o que ouvimos dos tais contos e fábulas.


O destaque, além da atuação de todo o elenco vai para a menina Thomasin (Anya Taylor-Joy) que rouba a cena com sua beleza ingênua porém forte, que precisa aturar situações injustas conforme as ações da bruxa. A menina, que conduz maior parte das cenas, também é o que nos dá mais medo, por ser uma atriz tão jovem, fazendo parte de um cí­rculo tão perigoso.


Ao todo, o filme é realmente aterrorizante, e assina sua particularidade com a fórmula da subjetividade e do oculto por meio de jogos de câmera e enquadramentos pensados para tal efeito. Se você procura tensão e uma história que vai ficar na sua cabeça por uns dias, então você vai estar no terreno certo.

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AUTOR

Felipe Cavalcante

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