A Paris Filmes leva para a grande tela A Revolução dos Bichos, a clássica fábula da literatura mundial transformada em animação sob a direção do grande Andy Serkis e com um maravilhoso elenco de estrelas na dublagem.
Lucky (Gaten Matarazzo) é um jovem leitão que mora em uma simples fazenda com outros animais. Um belo dia, todos estão sendo conduzidos para dentro de um amplo caminhão de carga e não demoram para descobrir que o destino daquela viagem não é nada favorável para eles. Afinal, estão a caminho do matadouro. Determinados a resistir e guiados pelo porco Bola de Neve (Laverne Cox), os animais se revoltam juntos contra os humanos e conquistam sua liberdade, tomando a fazenda para si. Esse é o início de um sonho em que regras de convivência são estabelecidas, baseadas em direitos e deveres iguais, para que todos possam viver bem e em harmonia. Porém, nem todos enxergam o senso comunitário com bons olhos, principalmente Napoleão (Seth Rogen), o outro porco da fazenda, que, determinado a mudar a forma de administração do local, começa a corromper a convivência com mentiras e artimanhas.

Primeiramente, vamos estabelecer que não, não é preciso ter lido o livro homônimo no qual o filme se baseia, mas sim, a experiência com o longa será incrivelmente melhor para quem leu. Afinal, como acontece em grande parte de seus escritos, A Revolução dos Bichos está longe de ser uma história leviana. Trata-se de uma narrativa construída para provocar reflexão, e a adaptação encontra uma forma interessante de tornar essas ideias mais acessíveis a novos públicos sem abandonar sua relevância.
O que temos aqui é uma crítica à humanidade, ao seu orgulho, aos seus desejos e à forma desenfreada de agir que não considera o outro ou o ambiente ao seu redor. Isso é mostrado inicialmente no personagem do fazendeiro, que abandona o cuidado com os animais e com a própria fazenda como um todo, e, em um segundo momento, passa para o personagem de Napoleão, cujo grande crime é justamente impor aos seus semelhantes o mesmo tratamento condenável dos humanos. Porém, mais do que uma crítica à humanidade, o conjunto da trama representa uma crítica política, com todas as suas alegorias e moralidade clara, mostrando exatamente quem são os heróis e quem são os vilões.

É interessante ver a dedicação cega do cavalo Sansão, que representa a classe trabalhadora; a execução de ordens sem questionamento por parte dos cachorros, identificados como a polícia; e a falta de dúvida ou pensamento próprio no grupo de ovelhas, que simplesmente repete aquilo que todos falam, pelo menos até uma delas ser acidentalmente tosquiada e passar a enxergar as coisas por outra perspectiva, chegando até a ter pensamentos próprios. E aqui está o grande valor do filme: conseguir apresentar uma trama bem adaptada, que se moderniza usando o recurso da animação sem perder a essência da história: a luta contra a opressão.
O final é diferente do livro, mas o final do livro está no filme também. Mais do que uma história sobre animais, a animação permanece sendo um alerta sobre poder, responsabilidade e consciência coletiva, que convida o espectador a ter consciência social, ser capaz de pensar em si e nos outros, e não sucumbir quando chega sua chance de fazer diferente.







