Agentes Muito Especiais é uma comédia dirigida por Pedro Antonio que mistura ação com uma forte carga emocional, por ser um projeto idealizado originalmente pelo saudoso Paulo Gustavo.
O filme acompanha Jeff (Marcus Majella) e Johny (Pedroca Monteiro), dois policiais gays que, cansados do preconceito e das chacotas na corporação, decidem provar seu valor. Eles aceitam uma missão perigosa: infiltrar-se em uma penitenciária para desarticular o “Bando da Onça”, uma quadrilha liderada pela misteriosa Onça (Dira Paes). A trama satiriza o gênero buddy cop (filmes de duplas de policiais) ao estilo de Corra que a Polícia Vem Aí e Anjos da Lei.

O “DNA” de Paulo Gustavo está no presente. O roteiro (assinado por Fil Braz) carrega o humor característico de Paulo Gustavo. É impossível não notar que o papel de Johny foi escrito sob medida para ele, o que traz uma camada de melancolia para o público.
Marcus Majella e Pedroca Monteiro (colegas de Vai Que Cola) possuem química, mas Majella às vezes fica preso ao tom de seus personagens de TV, enquanto Pedroca faz um trabalho sólido ao assumir um papel que exige tanto comédia quanto nuances emocionais.
O filme é um “tratado queer” necessário para o cinema comercial brasileiro, embora algumas piadas sobre a sexualidade dos personagens possam parecer repetitivas ou “contidas demais” em certos momentos. No entanto, Pedro Antonio consegue equilibrar a ação e o humor, consolidando sua fase autoral em grandes produções nacionais.

No elenco ainda temos Dira Paes, Chico Diaz e Bárbara Reis.
No geral, a obra é uma homenagem afetuosa ao legado de Paulo Gustavo, funcionando como um passatempo divertido, mas que deixa no espectador aquele “gosto de saudade” pelo que o comediante teria feito com o material. A ausência de Paulo Gustavo é sentida.







