Além da Fronteira

30.11.2013 │ 09:57

30.11.2013 │ 09:57

De todos os filmes que vi esta semana, de todos os suspenses, dramas e comédias, nenhum me deixou tão tensa e aflita, mas conquistando toda minha admiração quanto mais a história ia se aprofundando, quanto “Além da Fronteira” (“Out in the Dark”).
A história de uma romance entre um palestino e um israelense tinha tudo pra dar certo se fosse na novela na globo. Mas na vida real – que é exatamente como o diretor (e também dono do roteiro) Michael Mayer retratou a história – é muito diferente. Primeiro, o casal mora lá, no meio do conflito. Um de cada lado do muro. O palestino, Nimr Mashrawi (Nicholas Jacob), é um estudante de psicologia que tem uma permissão para cruzar a fronteira para assistir às aulas em Tel Aviv. O israelense, Roy Schaefer (Michael Aloni), é um advogado com bons contatos e uma vida confortável. E neste mundo real, escuro e complicado, com todas as diferenças culturais, de língua, religiosas e político-econômicas, além dos conflitos entre as duas nações, eles tentam viver um romance puro e sincero.
Com um roteiro bem amarradinho, a história não te deixa pestanejar por um segundo. A câmera estilo documentário, que vai seguindo os personagens o tempo todo, consegue te transportar para dentro do filme, nos aproximando ainda mais desta densa e tensa história. A história se passa basicamente à noite, em lugares pouco iluminados, o que ajuda a aumentar o sentimento de impotência, que vai crescendo conforme a trama vai se desenvolvendo.
Toda a intolerância existente no mundo, e que normalmente optamos por não encarar ou pensar a respeito, são expostas neste filme. Não todas, mas pelos menos as em voga nesta região. E com todos os aspectos estéticos apresentados por Mayer, a sensível atuação de Jacob e Aloni (assim como dos outros atores), você realmente vai sair do filme questionando alguns de seus valores. E, possivelmente, torcendo por dias mais iluminados e cheios de esperança.

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