American Horror Story: Hotel

"Hotel" mistura muitos conceitos e se perde ao longo dos episódios.

15.01.2016 │ 11:40

15.01.2016 │ 11:40

"Hotel" mistura muitos conceitos e se perde ao longo dos episódios.

A quinta temporada de American Horror Story, intitulada Hotel, infelizmente seguiu a mesma linha de Coven, que foi uma temporada sem muita coesão e com histórias perdidas, que se importava em fazer pose e falar sobre moda, esquecendo-se de assustar o público. Essas mesmas questões desencadearam a trama sem encaixe de Hotel.

Acompanhamos a história de um casal, John e Alex (Wes Bentley e Choe Sevigny) que precisam enfrentar o sumiço de seu filho Holden, além do chefe de famí­lia ter que desvendar uma série de assassinatos ligados aos dez mandamentos da bí­blia e ao Hotel Cortez. A hospedagem funciona como purgatório para espíritos mal resolvidos assim como na temporada de estreia, muitas vidas já passaram por ali desde sua inauguração, mas praticamente ninguém sobreviveu às taras do primeiro dono do hotel, Sr. James March (Evan Peters) que entrega brilhantemente um figurão playboy e um dos piores serial killers que a série já viu.

Quem se hospeda no Hotel Cortez, procura por algo que não possui, as vezes solidão, ou privacidade. Nesse contexto, os quartos servem como refúgio, um lugar onde você é acolhido e pode se sentir livre. Mas como todo hotel, existe um preço a ser acertado. A dramaturgia que se estabelece tardia na série, é a da eternidade, do viver plenamente mesmo que para isso seja preciso morrer. A jornada desses personagens entre erros e absolvições nos leva ao raciocí­nio anterior, de nos sentirmos nós mesmos e enfrentarmos nossas transições.

Porém estamos tratando de horror, e muitos horrores imagináveis em um hotel poderiam ter sido explorados, além de assombrações e corpos presos dentro dos colchões, que foram poucos. Falar sobre vampiros dentro de tantas outras possibilidades, não fez o menor sentido. Questões como abandono, rompimentos e amores eternos são nos dados pelo roteiro que fica quase transparente em alguns episódios, quase nulos. A cada cena que passa, se espera algo surpreendente ou que prenda a atenção, mas não vem.

O frisson criado em torno da participação de Lady Gaga como a Condessa, não foi suficiente para sustentar sua difí­cil tarefa de substituir a falta da atriz Jessica Lange na nova temporada, mesmo a mãe monstra tendo recebido o prêmio de melhor atriz no Globo de Ouro de 2016. O problema é que a expectativa era muito positiva e a série parecia ser ideal para uma figura como Gaga, que se veste de carne crua, se inspira em heavy metal e acha filmes de matança algo relaxante. Uma pena que o talento dos palcos não brilhou frente as câmeras e não conseguimos ver Stephany Ciccone atuando, vimos apenas o mais do mesmo de Lady Gaga faz em seus clipes com uma atuação crua e sem nuances.

Destaque máximo para Kathy Bates (Iris) e Denis O´Hare (Liz Taylor), que conduzem bons diálogos, carregando boa parte dos episódios nas costas enquanto todo o resto bagunçado do roteiro e da avalanche de ideias, não funcionam.

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