No mais novo filme de Caco Souza, Atena (Mel Lisboa), marcada por abuso na infância cometido pelo próprio pai, decide fundar um grupo clandestino com outra sobrevivente, Helena. Juntas, elas seduzem, capturam e julgam agressores, desempenhando o papel de uma “justiça paralela”. Carlos (Thiago Fragoso), repórter investigativo, acompanha suas ações de perto. Quando Atena descobre o paradeiro do pai em Montevidéu, a busca pessoal por vingança intensifica o senso moral da narrativa.
O filme aborda violência contra mulheres e impunidade institucional mais a justiça vigilante versus consequências éticas da vingança, retratando uma reflexão sobre o silêncio da sociedade e negligência das autoridades, trazendo uma protagonista que assumidamente toma as rédeas da própria justiça.
A trama engloba temas urgentes de forma direta e provoca duvidas sobre justiça e trauma. O clima tenso e emocional confere impacto à narrativa, com a performance de Mel Lisboa como núcleo da experiência.

A ambientação em Gramado, no Rio Grande do Sul, traz um visual europeu ao filme, potencializando o contraste emocional da história.
Entretanto, o roteiro de Enrico Peccin conta com muitos elementos clichês do gênero, falta de coesão narrativa e desenvolvimento raso de personagens, especialmente Carlos. A construção dramática é superficial, com saltos de lógica, flashbacks repetitivos e apoios narrativos frágeis que isolam cenas e fragmentam a experiência emocional.
Há uma sensação de que o filme se satisfaz em chocar por causa do tema, mas não aprofunda nenhuma das discussões que levanta: justiça, trauma e vigilância tornam-se cenários mais do que debates reais.
Há também a falta de identidade estética, como uso de efeitos visuais e texto que soam artificiais e “copiados” de padrões de Hollywood sem força autêntica, como conversas que deveriam revelar motivações profundas de Atena são tratadas como diálogos expositivos superficiais.

Carlos, personagem central, torna-se um facilitador narrativo sem complexidade emocional.
O final agrupa personagens de forma abrupta, muitos viram objetos narrativos descartáveis sem resolução coerente , além de que o sotaque da região as vezes soa muito forçado.
Atena se posiciona como obra relevante por tratar trauma e violência de forma intensa, com protagonismo feminino forte.
O longa desperdiça parte do potencial de discussão por falhas de roteiro, personagens superficiais e ritmo irregular.
Resumidamente, Atena é um filme que caminha no limite entre denúncia necessária e narrativa explosiva, mas que não entrega a profundidade que propõe.







