Capitães da Areia

07.10.2011 │ 11:12

07.10.2011 │ 11:12

Quem nunca ouviu a máxima, sobre as comédias americanas: “aquele que viu uma, viu todas”? É o mesmo com a obra de Jorge Amado. Por que esperar que “Capitães da Areia” seria diferente?
Embora bem realizado (dirigido pela neta do autor), o filme não passa de um bando de pivetes vagabundos, sexualizados ao extremo, no meio de uma Bahia pobre e criminalizada. Quantas obras do autor são iguais? É o típico filme brasileiro.
Não. Não há preconceito de minha parte com a obra nacional. Basta ver “O Contador de Histórias”, “À Deriva” e “O Cheiro do Ralo”, que em minha opinião são obras que fogem da regra de que tudo se resume aos temas abordados nesse longa.
Além da temática, há apenas um fator para chamar atenção, a impecável reconstrução de época e a bela fotografia, uma vez que o elenco tem seus altos e baixos. Jean Luis Amorim, com seu Pedro Bala, entrega várias das falas de maneira extremamente mecânica, enquanto Ana Graciela causa estranheza e asco nas cenas picantes, por se tratar de uma criança.
Outro fator sempre presente nas adaptações da obra de Amado é o lado bastante religioso (leia-se do umbanda, ou sei lá o que). E as cenas são muitas e desconexas.
Cecília Amado talvez tenha tido o desejo de manter todos os aspectos da obra de seu avô. Nesse prisma, parece ter conseguido. Mas a que preço? O filme não passa de mais uma adaptação. Bem realizada, esteticamente falando, e nada mais.

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