Como Mágica

(2026) ‧ 1h42

24.04.2026

Entre asas, raízes e aprendizados sobre empatia

Como Mágica parte de uma premissa bastante conhecida no cinema infantil, a clássica troca de corpos, mas encontra maneiras interessantes de tornar essa jornada mais envolvente do que o esperado. Sem reinventar a fórmula, a animação aposta na construção de um universo visualmente criativo e em uma mensagem sincera sobre convivência, confiança e compreensão do outro.

A história acompanha Ollie e Ivy, dois animais de espécies rivais que acabam trocando de corpos após um incidente mágico. Obrigados a sobreviver na pele (ou nas penas) um do outro, eles precisam enfrentar diferenças profundas enquanto tentam impedir uma ameaça capaz de destruir o equilíbrio do Vale. É uma estrutura familiar, mas o filme consegue manter o interesse ao desenvolver esse mundo com bastante personalidade.

Visualmente, Como Mágica é o que mais chama atenção. O reino animal criado pela animação foge do convencional ao apresentar criaturas que parecem feitas de madeira, raízes e vegetação. A direção de arte constrói um ecossistema que mistura fantasia e natureza de maneira muito bonita, criando cenários cheios de pequenos detalhes que enriquecem a experiência mesmo quando o roteiro segue caminhos previsíveis.

Existe também um tom mais melancólico e até sombrio em alguns momentos da narrativa. O longa fala sobre exílio, medo e destruição ambiental de forma surpreendentemente séria para uma produção voltada ao público familiar. A presença do Fire Wolf, por exemplo, adiciona uma sensação constante de perigo, funcionando quase como a representação física do medo e da intolerância que contaminam aquele mundo.

As vozes de Michael B. Jordan e Juno Temple ajudam bastante a sustentar a dinâmica entre os protagonistas. Os dois conseguem transmitir tanto o conflito inicial quanto a aproximação gradual entre Ollie e Ivy, fazendo com que a amizade construída ao longo da trama pareça natural. Mesmo nas cenas mais leves e cômicas, há uma química agradável entre eles que mantém o filme funcionando emocionalmente.

Por outro lado, o roteiro sofre um pouco com a velocidade excessiva de certas resoluções. Muitos obstáculos surgem e desaparecem rápido demais, como se o filme tivesse receio de desacelerar para explorar melhor seus próprios conflitos. Isso prejudica um pouco o impacto emocional de algumas cenas importantes e faz com que determinadas passagens pareçam episódicas demais.

Ainda assim, Como Mágica consegue encontrar força na sinceridade de sua mensagem. Ao colocar personagens obrigados a enxergar o mundo pelo ponto de vista do outro, a animação constrói uma fábula simples, mas eficiente, sobre empatia e convivência. Talvez não seja uma obra revolucionária dentro do gênero, porém entrega aventura, emoção e um universo criativo o bastante para tornar essa viagem ao Vale uma experiência bastante agradável.

ONDE ASSISTIR

AUTOR

Felipe Fornari

OUTRAS CRÍTICAS

Piratas do Caribe: A Maldição do Pérola Negra

Piratas do Caribe: A Maldição do Pérola Negra

Existe uma dose inevitável de cinismo quando se pensa em Piratas do Caribe: A Maldição do Pérola Negra. Afinal, estamos falando de um filme baseado em um brinquedo da Disney – o tipo de projeto que soa mais como uma jogada de marketing do que como cinema de verdade....

Caixa de Pássaros

Caixa de Pássaros

Histórias de sobrevivência costumam ter um espaço maior do que se espera entre as produções e também entre os expectadores. Bird Box é a mais nova opção da Netflix para quem é fã desse subgênero, que sucede as histórias clássicas de Stephen King, como O Nevoeiro, ou...

Digimon Adventure 02 – O Início

Digimon Adventure 02 – O Início

Digimon Adventure 02 - O Início marca o retorno da amada franquia com uma continuação de Digimon Adventure: Last Evolution Kizuna, explorando as vidas dos protagonistas uma década após os eventos do filme anterior. Como fã de Digimon, é emocionante testemunhar a...