Divorce

12.12.2016 │ 08:55

12.12.2016 │ 08:55

É difícil ver Sarah Jessica Parker de volta a TV mas sem o glamour de figurinos vanguardistas e o modo cosmopolita de viver numa grande cidade rodeada de moda e relacionamentos. Mas seu retorno veio por uma boa causa, falar sobre um momento da vida que ainda não havia sido tão enfatizado como tema principal. Divorce, a nova série original HBO criada por Sharon Horgan, conta em 10 episódios uma história diferente sobre separação e a batalha travada em um divórcio.

Frances (Sarah Jessica Parker) e Robert (Thomas Haden Church) vivem um casal comum e monótono que mal conseguem se olhar nos olhos, mas ainda se permitem coabitar a mesma casa em consideração aos filhos. No entanto, Frances mantém um relacionamento de anos com um amante que é pior que seu marido, justamente para mostrar a falta de julgamento e o encantamento por algo mais próximo de seu gosto. O mais interessante é a forma como a série se apresenta, com o choque de que um pode ser capaz de matar o outro e isso acontece com um casal de amigos deles realmente, mas entre Frances e Robert fica um ponto de interrogação que não silencia o fato deles também terem chegado a esse ponto. Será que a convivência entre duas pessoas cresce para a intolerância ao invés de ser o contrário?

A metáfora de precisar levar um tiro para acordar uma situação que já estava morta, faz o texto de Divorce criar força em volta de como as relações estão mudando de geração pra geração. Antes os votos do casamento tinham um significado eterno, hoje a maioria não consegue mais se encaixar num modelo perfeito de cumplicidade. Esse diálogo é muito bem estabelecido pelos episódios, mas alguns momentos tentam ser tão diferentes que perdem o significado e quando a série mira no drama, acerta na comédia e vice e versa. Não fica muito clara a intenção de algumas cenas, que quando montadas ficam meio perdidas a intenção original. Robert é de longe o personagem mais desinteressante da trama, o homem traído que demonstra de maneira turrona uma sensibilidade escondida e inexpressiva. Suas cenas são tão vazias a presença de Church, que é um bom ator, fica inestimada.

No processo do divórcio, que pode ser amigável ou não, o cansaço sobre rever cada detalhe da vida a dois exposta a números e bens, toma conta dos personagens que ainda passam por questões de culpa e carência. Há muito que se aproveitar de informação pra quem passou ou passa por esse tipo de processo. Mas novamente, quando o elenco de advogados entram com uma intenção cômica para dar leveza a toda tensão dramática, não fica muito claro na direção o que as cenas pretendem dizer.

Entre terapia de casal, a nova vida de solteiro, problemas financeiros e participação na vida escolar e pessoal dos filhos, há muito o que ser contado num tema tão enorme como esse, mas o roteiro tenta tomar o caminhos mais finitos e esperados. Algo que Grace & Frankie, outra série que lida do mesmo tema mas com um perfil diferente, consegue fazer com maestria numa ambientação muito mais exagerada como deve ser. Por fim, Divorce tenta recontar a história de um casal que após a união precisam se encontrar como indivíduos, e é aí que a série tem chances de ganhar muitos pontos.
Nota:

Você também pode gostar…

  • Leia mais
    Nem Juíza, Nem Submissa
    16.01.2019
  • Leia mais
    O Profeta das Águas
    22.04.2017
  • Leia mais
    Fruitvale Station - A Última Parada
    07.02.2014
Quadro por Quadro