Doce Veneno

"Doce Veneno" teria uma ótima discussão sobre a sexualidade se não fosse atrapalhado pelo machismo em diversas ocasiões

16.06.2016 │ 14:13

16.06.2016 │ 14:13

"Doce Veneno" teria uma ótima discussão sobre a sexualidade se não fosse atrapalhado pelo machismo em diversas ocasiões

Doce Veneno tinha tudo para ser um filme bom. Temos atores cativantes, um roteiro que deixaria (quase) todo mundo curioso e um filme sem pudores, aparentemente. Mas será que um longa se sustenta apenas com isso?

A sinopse dessa comédia dramática, que é uma refilmagem de Un moment d’égarement de 1977, é a seguinte: dois amigos quarentões saem de férias com suas jovens filhas para a Córsega. Um dos amigos é divorciado e o outro está com problemas no casamento, então nada melhor do que ir para uma praia linda com suas respectivas filhas, certo? Errado. A filha do amigo com problemas no casamento se apaixona pelo amigo divorciado dele e, a partir daí­, temos uma confusão sem fim.

Abro minha resenha hoje com uma discussão que deveria ser aberta sempre: até onde o machismo atrapalha os filmes em geral? Eu geralmente presto bastante atenção em cenas machistas e, por isso, digo que as desse filme me deixaram extremamente incomodado. O que poderia ser maravilhoso acaba sendo extremamente superficial por causa disso.

O cinema francês é conhecido por muitas pessoas como um cinema muito liberal, por abordar com muita facilidade questões como sexo, sexualidade, drogas e afins. O grande problema desse filme é que temos isso pela metade. Eu acho muito errado deixar atrizes peladas enquanto os atores ficam vestidos. Desde quando isso é justo? Em uma cena de nudez na praia, vemos a atriz Lola Le Lann super confortável, enquanto o veterano Vincent Cassel não topa tirar sua sunga, mesmo que isso significasse uma nudez traseira.

Outra situação que incomoda é o fato de o roteiro querer tirar risadas dos espectadores com piadas machistas. Não é engraçado mandar uma mulher varrer a casa, ao mesmo tempo em que não é engraçado o homem se sentir superior e querer trair a esposa, como se ela merecesse isso. Algumas coisas são consertadas lá no final da trama, mas ainda assim acho isso bem problemático.

Enfim, agora vamos às partes boas, que, felizmente, também se destacam na produção. François Cluzet está espetacular em seu papel. Ele faz o tipo de pai super brigão, que se irrita com tudo. E ele se irrita na velocidade da luz, então é realmente engraçado ver as situações embaraçosas que ele acaba arrumando. Temos também uma fotografia maravilhosa, mas isso era quase impossí­vel de não acontecer, já que o longa se passa na Córsega, né?

A quí­mica entre os atores também é incrí­vel. Jean-François Richet merece uns pontinhos pela direção deles, afinal de contas. Talvez por isso o filme seja gostoso de assistir mesmo tendo tantos defeitos (que poderiam ser facilmente consertados, cá entre nós).

De qualquer forma, Doce Veneno pode acabar sendo um bom filme para discutir essas coisas ao término dele. E, além disso, você vai conseguir dar boas risadas (se selecionar as piadas certas, claro).

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