Criando o Universo Marvel: Capitão América - O Soldado Invernal | Quadro por Quadro

Criando o Universo Marvel: Capitão América – O Soldado Invernal

19.06.2021 │ 17h14

O filme conspiratório que preparou o palco para um Universo Marvel mais diversificado

Criando o Universo Marvel é uma série de artigos semanais que investiga o processo de desenvolvimento, produção e lançamento de todos os filmes da Marvel Studios.

Se Thor: O Mundo Sombrio foi um passo na direção errada para a Marvel Studios na tentativa de expandir o UCM depois de Os Vingadores, então Capitão América: O Soldado Invernal abriu caminho para o futuro. Na verdade, podemos olhar para a trilogia Capitão América como a espinha dorsal narrativa do Universo Cinematográfico Marvel, e com O Soldado Invernal, a Marvel mergulhou mais fundo do que nunca no mundo que esses super-heróis habitavam. O resultado final continua sendo um dos favoritos dos fãs, que optou por um tom e gênero surpreendentes para forjar um caminho que mudaria o UCM para sempre.

Dado que se tratava do Capitão América, a Marvel já começou o trabalho em uma sequência mesmo antes do lançamento de Capitão América: O Primeiro Vingador. O estúdio trouxe de volta os escritores Christopher Markus e Stephen McFeely, que inicialmente consideraram trabalhar com flashbacks com mais histórias da Segunda Guerra Mundial antes de finalmente pousarem no gênero da conspiração com uma abordagem única na sequência que contrastaria com os elementos de “filme de guerra” de O Primeiro Vingador.

Markus e McFeely tinham quase toda liberdade para contar a história que queriam, mas o presidente da Marvel Studios, Kevin Feige, tinha duas solicitações que queria incluir: os helicarriers no final do filme e a queda de S.H.I.E.L.D. Para tanto, Markus e McFeely se influenciaram em filmes como Três Dias do Condor, A Trama e Maratona da Morte, forçando Steve Rogers a enfrentar uma América que ele não reconhece enquanto estava no seio de uma obscura organização governamental. O resultado final? Desmontagem da S.H.I.E.L.D. por completo e removendo a rede de segurança dos Vingadores quando a Era de Ultron chegasse.

Quando chegou a hora de contratar um diretor, a Marvel Studios se afastou dos grandes nomes da Fase Um, como Jon Favreau e Kenneth Branagh e reduziu as opções para O Soldado Invernal a George Nolfi (Os Agentes do Destino), F. Gary Gray (Uma Saída de Mestre) e Anthony e Joe Russo, com a dupla de irmãos tendo dirigido alguns filmes (Dois é Bom, Três é Demais sendo o mais notável deles), mas principalmente tendo dirigido e produzido mais séries de TV.

Em abril de 2012, Gray saiu da disputa para dirigir Straight Outta Compton: A História do N.W.A., e em junho os Irmãos Russo assumiram o cargo. Os Russos dirigiram o piloto de Arrested Development e uma série de episódios dessa série inovadora, mas foi na verdade seu trabalho em Community que os colocou no radar da Marvel – especificamente dirigindo a ação e episódios de faroeste. Quando eles tiveram um encontro com a Marvel, eles expressaram seu intenso amor pelos quadrinhos e pelo Capitão América, e seu mentor Steven Soderbergh até ligou para a Marvel e deu uma boa recomendação.

A decisão foi fortuita, já que os Russos iriam não apenas dirigir O Soldado Invernal, mas também Capitão América: Guerra Civil e os enormes Vingadores: Guerra Infinita e Vingadores: Ultimato. Mas veremos isso mais tarde.

A Marvel confirmou os Russos e revelou o título do Capitão América 2 na San Diego Comic-Con 2012, fazendo com que o público explodisse em aplausos quando Capitão América: O Soldado Invernal apareceu nas telas no Hall H. Isso sinalizou que o filme seria uma adaptação do enredo de Ed Brubaker, O Soldado Invernal, que traz Bucky Barnes (Sebastian Stan) de volta para enfrentar Steve Rogers como um assassino que sofreu lavagem cerebral.

A equipe queria dar a Steve Rogers alguns outros personagens para explorar e assim foram em diferentes iterações. Em um determinado momento, o Gavião Arqueiro de Jeremy Renner estava no filme, e em outro ponto ele estava junto com a Viúva Negra de Scarlett Johansson, até que eventualmente foi decidido simplesmente juntar Steve com Viúva e então adicionar o Falcão ao mix. Para o personagem, a Marvel contratou Anthony Mackie, enquanto a busca começava por uma protagonista feminina não identificada que viria a ser revelada como Sharon Carter.

Embora Sharon Carter não tenha um papel de suma importância em O Soldado Invernal, nem nos filmes subsequentes, a possibilidade existia para mais, e a Marvel considerou várias atrizes para o papel. Emilia Clarke, Alison Brie, Imogen Poots, Teresa Palmer e Jessica Brown Findlay supostamente testaram para o papel, que acabou indo para Emily Van Camp, que estava fora da série da ABC, Revenge.

Para o vilão Ossos Cruzados, que acabou sendo um pouco mais significativo do que Sharon Carter no UCM, a Marvel considerou Josh Holloway (Lost) e Nikolaj Coster-Waldau antes de se optar por Frank Grillo.

Samuel L. Jackson e Cobie Smulders reprisariam seus papéis como agentes da S.H.I.E.L.D. com bastante importância, mas uma grande surpresa no elenco foi reservada para antes do início das filmagens, quando Robert Redford havia se juntado ao elenco. Claro, olhando para trás, descobrimos que Redford estava interpretando o grande vilão da tra,a, mas na época foi curioso ver um ator de seu calibre chegando para interpretar um agente da S.H.I.E.L.D. de alto nível. Esta não seria a última vez que um ator premiado e extremamente famoso se juntou ao UCM.

As filmagens de Capitão América: O Soldado Invernal começou em 1º de abril de 2013 e abriu uma escritório de produção em Cleveland, Ohio, que também serviu como um importante local de filmagem para Os Vingadores, graças a uma generosa redução de impostos. E em contraste com a produção de Thor: O Mundo Sombrio, todo o processo em O Soldado Invernal correu incrivelmente bem. O que explica por que a Marvel continuou recontratando os Irmãos Russo repetidas vezes (e também por que este artigo de Criando o Universo Marvel é, até aqui, o mais chato de todos).

Capitão América: O Soldado Invernal estreou nos cinemas em 4 de abril de 2014 com críticas positivas e um final de semana de estreia com US$ 95 milhões em arrecadação. Ele iria gerar uma receita bruta de US$ 714,2 milhões em todo o mundo, quase o dobro da receita bruta vitalícia de O Primeiro Vingador. Na verdade, a Fase Dois da Marvel seria marcada por ganhos de bilheteria significativos graças ao enorme sucesso de Os Vingadores, que serviu como uma espécie de anúncio para os fãs procurarem e continuarem com as aventuras dos personagens individuais.

Mas antes que eles pudessem chegar a outra sequência da reunião da equipe, a Marvel embarcou em sua maior aposta desde, talvez, o primeiro Homem de Ferro. Um filme espacial em que dois dos personagens principais são uma árvore senciente e um guaxinim falante (Mas isso é assunto para a semana que vem!).

Confira os textos do especial Criando o Universo Marvel já publicados:

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