Criando o Universo Marvel: Capitão América - O Primeiro Vingador - Quadro por Quadro

Criando o Universo Marvel: Capitão América – O Primeiro Vingador

22.05.2021 │ 08h00

O filme que quase não conseguiu ter Chris Evans como Steve Rogers

Criando o Universo Marvel é uma série de artigos semanais que investiga o processo de desenvolvimento, produção e lançamento de todos os filmes da Marvel Studios.

Embora a Marvel Studios claramente tivesse ideias que levavam até Os Vingadores quando começaram a fazer seus próprios filmes com Homem de Ferro, não foi até seu quinto filme – Capitão América: O Primeiro Vingador – que eles deixaram claro que estavam prestes a iniciar a produção do seu filme mais grandioso filme até ali.

Não só isso, mas o Capitão América, ambientado na década de 1940, serviria como o prelúdio de Os Vingadores e, portanto, precisava descobrir os principais pontos da trama enquanto apresentava um novo super-herói importante. E embora o resultado final funcione maravilhosamente bem, chegar até ele passou por um caminho levemente complicado.

Capitão América foi um dos primeiros filmes anunciados quando a Marvel Studios iniciou seu plano de fazer seus próprios filmes, e naquela época David Self (Estrada para Perdição) foi contratado para escrever o roteiro. Na época, o roteiro não passava tanto tempo na década de 1940, como Self citou em um comunicado:

“Ele é um personagem de Norman Rockwell que se depara com a América de hoje e é forçado a olhar para seu próprio passado, coisas nos anos 40 que não eram necessariamente o que se dizia ser, e também como o país de hoje pode não ser o que parece.”

Quase dois anos depois que a Marvel lançou Homem de Ferro com um sucesso estrondoso, o cineasta Joe Johnston (Jurassic Park III) foi contratado para dirigir o primeiro Capitão América, embora na época um roteiro ainda não existisse. Outro ponto interessante: o título do filme, inicialmente era O Primeiro Vingador: Capitão América até ser alterado para Capitão América: O Primeiro Vingador em abril de 2010.

Por fim, Christopher Markus e Stephen McFeely foram contratados para escrever o roteiro, embora ainda não houvesse uma decisão sobre quanto do filme aconteceria na década de 1940 e quanto aconteceria nos dias atuais. Markus e McFeely iriam, é claro, escrever os próximos dois filmes da franquia, bem como Vingadores: Guerra Infinita e Vingadores: Ultimato, então O Primeiro Vingador foi o marco zero para duas das figuras mais importantes do UCM.

Escolher quem interpretaria o personagem-título, no entanto, foi incrivelmente difícil. Nessa época – primavera de 2010 – a Marvel Studios estava se tornando uma marca de respeito, e cada jovem ator de talento estava competindo pela oportunidade de interpretar o Capitão América. Ryan Phillippe fez o teste, assim como Garrett Hedlund, Jensen Ackles e Chace Crawford. A frente dos demais concorrentes, John Krasinski foi um dos finalistas para o papel, mas ele relembrou de forma engraçada a sensação de vergonha ao ver o Thor de Chris Hemsworth durante seu teste (vídeo sem legendas):

Além de Krasinski, Sebastian Stan também foi um dos finalistas para o papel de Steve Rogers, e ele impressionou tanto os executivos da Marvel que acabou escalado como Bucky Barnes.

Mas escalar Chris Evans para o agora icônico papel não foi tão simples. Esse era um personagem que todo ator da cidade queria interpretar – todo ator, menos Evans. Tendo anteriormente interpretado um super-herói em dois filmes do Quarteto Fantástico com resultados relativamente decepcionantes, Evans não tinha certeza se queria se prender em um personagem daquela forma novamente:

Falando sobre conseguir o papel, Evans disse que se sentiu bem em não aceitar inicialmente:

“Receber a oferta [do Capitão América] pareceu-me o epítome da tentação. A oferta de emprego definitiva, em grande escala. Eu devo dizer não a isso. Parecia a coisa certa a fazer. Você vê as fotos e as fantasias, e isso é legal. Mas então eu acordei um dia depois de dizer não e me senti bem, duas vezes.”

Foi um telefonema do próprio Robert Downey Jr. que convenceu Evans, e ele finalmente cedeu e assinou em março de 2010 – com uma ressalva. Enquanto a maioria dos atores do UCM naquele momento assinavam contratos que tinham opções para nove aparições (incluindo participações especiais), Evans convenceu a Marvel a reduzir seu número total de aparições para seis.

Isso não acalmou completamente as preocupações de Evans – na verdade, ele admitiu anos depois que ainda estava nervoso sobre sua decisão de interpretar o Capitão América até assistir O Primeiro Vingador finalizado:

“Bem, eu não estava feliz no primeiro [Capitão América] porque – bem, não que eu não estivesse feliz. Eu só estava nervoso, sabe o que quero dizer? Eu não tinha assumido um papel que me deixasse nervoso assim. E foi uma mudança de estilo de vida, e houve muitos fatores no primeiro. Eu só estava nervoso, cara. Era uma grande mudança, seja o que for … E agora é como, ‘entendi’. Entendi. Tudo bem. Ninguém está derrubando a minha porta. Eu ainda posso andar por aí. Ainda posso ir ao cinema. Acho que estava com tanto medo que, tipo, ‘É isso. Acabei de assinar minha sentença de morte; minha vida acabou. Eu não posso acreditar que fiz isso. Esta não é a carreira que eu queria. ‘Isso não aconteceu. Nada disso aconteceu. Estou bem, bem.”

Na verdade, Evans disse na mesma entrevista que estava simplesmente preocupado em estar preso a fazer seis filmes ruins [na concepção dele]:

“Estou bem. Você sabe, eu não tive um colapso e não perdi a minha cabeça. E os filmes são bons. A maior coisa que me preocupava era fazer filmes de merda. Não quero fazer filmes de merda e ser contratualmente obrigado a continuar fazendo lixo.”

Evans não era o único ator que tinha sentimentos confusos sobre Capitão América. Hugo Weaving foi escalado como o vilão Caveira Vermelha, mas posteriormente revelou em 2012 que, embora a Marvel tivesse a opção de trazê-lo de volta em filmes futuros, ele não estava exatamente ansioso para voltar:

“Eu [assinei um contrato de diversos filmes] para Capitão América. Acho que a tendência, com esses filmes, não era trazer um vilão de volta. Eles podem para Os Vingadores, mas eu não pensei que estaria em Capitão América 2 ou suas sequências. Não acho que Caveira Vermelha estará lá. E não é algo que eu gostaria de fazer novamente. Estou feliz por ter feito. Eu me inscrevi para uma série de filmes e suponho que, por contrato, eu seria obrigado a voltar, se me obrigassem, mas não iriam forçar ninguém a fazer, se não quisesse. Acho que cumpri minha trajetória com esse tipo de filme. É bom fazer e experimentar esse tipo de filme, mas para ser honesto, não é o tipo de filme que procuro e realmente me animo. Como ator, fazer todos os tipos de filmes diferentes é ótimo. Isso acrescenta para você de maneiras diferentes. Mas, cada vez mais gosto de voltar ao que sempre fazia, que é me envolver em projetos com os quais realmente tenho uma afiliação pessoal.”

Isso explica por que Caveira Vermelha foi reescalado para Vingadores: Guerra Infinita e Vingadores: Ultimato. Independentemente disso, depois que Evans finalmente assinou para O Primeiro Vingador, o filme conseguiu outra voz criativa importante: Joss Whedon. Em abril de 2010, Whedon foi anunciado como o escritor e diretor do vindouro Os Vingadores, que seria lançado em maio de 2012. Mas como parte do contrato de Whedon, ele também foi designado para reescrever o Capitão América: O Primeiro Vingador pouco antes do filme começar a ser filmado.

Whedon não é oficialmente creditado por escrever O Primeiro Vingador, e ele posteriormente revelou que seu trabalho no roteiro não foi muito grande:

“Eu acabei fazendo apenas algumas conexões entre os personagens. A estrutura da coisa era muito boa e eu adorei, mas houve algumas oportunidades para encontrar sua voz um pouco melhor – e alguns dos outros personagens – e fazer as conexões de forma que você entendesse exatamente por que ele queria ser quem ele queria ser. E fomos progredindo através do roteiro para torná-lo um pouco mais elaborado.”

Naquela época, Whedon conhecia bem o roteiro, mas ele explicou que, neste caso, era bom saber que o estúdio realmente usaria suas contribuições:

“É divertido neste caso, porque, primeiro, eles vão realmente usar as coisas que eu escrevi, o que é raro; e, segundo, é um quebra-cabeça divertido entrar e dizer: ‘Ok, é isso que funciona, é isso que precisa estar conectado, e aqui estão alguns momentos importantes.’ Em seguida, a terceira coisa é que isso acontece nos anos 40, então eu comecei a escrever diálogos dos anos 40, e isso nunca deixa de ser divertido!”

A produção de Capitão América: O Primeiro Vingador começou em junho de 2010, e o filme foi rodado com a então nova câmera digital Arri Alexa. Extensos efeitos visuais foram usados para dar vida ao “Steve Rogers Magrelo”, que Johnston explicou que era difícil de realizar e envolvia o uso de um dublê de corpo em algumas cenas:

“A maioria das tomadas foi feita por uma empresa de Los Angeles chamada LOLA, especializada em ‘cirurgia plástica’ digital. A técnica envolvia encolher Chris em todas as dimensões. Filmamos cada cena do Steve magro pelo menos quatro vezes; uma vez como uma cena normal com Chris e seus colegas atores na cena, outra com Chris sozinho em frente a uma tela verde para que seu corpo pudesse ser reduzido digitalmente, e outra com Chris ausente para que o encolhido Steve pudesse ser reinserido na cena e, finalmente, com um dublê de corpo imitando as ações de Chris, caso a segunda técnica fosse necessária. Quando Chris teve que interagir com outros personagens na cena, tivemos que abaixar Chris ou elevar os outros atores em caixas ou passarelas elevadas para fazer o Steve magro mais baixo em comparação. Para closes, os colegas atores de Chris tiveram que olhar para as marcas em seu queixo que representavam onde seus olhos estariam após o processo de encolhimento, e Chris teve que olhar para as marcas no topo da cabeça dos atores para representar seus olhos.”

O filme chegou aos cinemas em 29 de julho de 2011 – e arrecadou sólidos US$ 65 milhões no fim de semana de estreia. Isso foi bem próximo dos US$ 65,7 milhões que Thor arrecadou em seu fim de semana de estreia, e a bilheteria doméstica final dos dois filmes é bem próxima – US$ 176,6 milhões para Capitão América e US$ 181 milhões para Thor – mostrando que esses filmes tão diferentes estavam prendendo a atenção de um público bem semelhante. Na verdade, enquanto Thor é um filme de fantasia estrelado por um deus nórdico, Capitão América é um filme ambientado na Segunda Guerra Mundial nos anos 1940. Isso não importava pois os fãs do que estava se tornando o Universo Cinematográfico Marvel estavam olhando para ambos, sinalizando o potencial de sucesso do que vinha pela frente.

Quando o filme terminou sua passagem pelos cinemas, O Primeiro Vingador arrecadou US$ 370 milhões em todo o mundo e recebeu muitas críticas positivas. Chris Evans recebeu muitos elogios de fãs e críticos por sua interpretação de Steve Rogers, e o filme preparou o cenário lindamente para Steve servir como uma espécie de guia do público durante a união desses heróis muito diferentes na próxima empreitada da Marvel nos cinemas – e sua mais arriscada adaptação até ali: Os Vingadores [mas isso é papo para a próxima semana].

Confira os textos do especial Criando o Universo Marvel já publicados:

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