Tudo sobre Sex & The City e seu retorno à TV - Quadro por Quadro

Tudo sobre Sex & The City e seu retorno à TV

14.01.2021 │ 18h53

Neste artigo, Felipe Cavalcante elenca os melhores momentos de uma das séries mais icônicas da HBO

Sex & The City marcou história na HBO com a ideia de trazer mulheres em seus 30 e poucos anos vivendo e desbravando a cidade de Nova York ao seu máximo. Com narrações, muito humor e a quebra da quarta parede, o elenco abria a conversa para que os temas fossem ainda mais relevantes a sua época.

Pensando em incluir um ponto de vista feminino ao texto, resolvi conversar com duas grandes amigas que são mulheres independentes, esclarecidas e também fãs de Sex & The City, para entender o que essas personagens significam para elas.

Segundo a Carol Calciolari (@carolcalciolari), cirurgiã dentista e atleta: “elas representam hoje o que é a mulher moderna, que tem independência financeira, que tem autoconhecimento, que são prontas. Mesmo cada uma com sua personalidade, elas ainda buscam viver um grande amor, o que acaba sendo esquecido pelas mulheres quando elas alcançam seus objetivos financeiros. Carrie ainda é muito amorosa, já a Samantha, por mais desapegada, quer um amor pra disfrutar a vida do seu jeito. Cada característica, acaba unindo elas. O que torna divertido é que uma aceita a outra e todas elas se completam.”

Thaís Michelin (@thaispipe), analista de um dos maiores bancos do país e apaixonada por viajar, disse: “Carrie é a minha preferida, ela é leve, bem resolvida, escreve sobre o que gosta. O ensaio da Vogue no primeiro filme foi um sonho. Adoro a sinergia que todas elas tem, porque são mulheres muito diferentes. A Charlotte é muito família, a Miranda super workaholic, Samantha nem preciso comentar. E todas elas juntas são um pedaço da gente, todas as mulheres tem as quatro dentro da gente, por mais clichê que pareça. A minha cena favorita é do primeiro filme quando a Miranda se encontra com o Steve na Brooklyn Bridge. Amo também o fato de que a Carrie guarda os sapatos no forno, afinal ela não é obrigada a cozinhar e eu também não sei cozinhar, então isso é tudo pra mim.”

O Elenco

O programa tem como seu maior legado a protagonista Carrie Bradshaw, interpretada por Sarah Jessica Parker. A atriz pouco emplacava nos cinemas, até que essa oportunidade a tornou um ícone fashion e símbolo do que significava ser feminina e sonhadora. Com a premissa de uma jovem vinda do interior, o antigo sonho de conquistar a cidade grande no maior estilo Madonna, encheu os olhos das mulheres que sonhavam com a glamourização de vestir suas melhores roupas, sapatos de designer, frequentar lugares incríveis, conhecer as pessoas certas, mas sofrer por amor. Aí estava o maior apelo da personagem, que vivia solta por Nova York atrás do seu par ideal.

Carrie não seria nada sem Miranda Hobbs, talvez o maior oposto da protagonista. A atriz Cynthia Nixon eternizou o estilo workaholic e não tinha medo de ser a mulher que chega no homem. Suas inseguranças com o corpo e decepções amorosas, eram combatidas e descontadas no trabalho, o qual ela se dedica a ferro e fogo.

Charlotte faz as vezes da patricinha que teve toda a sua vida desenhada desde criança, com o sonho de estudar numa importante universidade, ser a presidente de uma fraternidade e construir uma família perfeita. Claro, que nada teria graça se fosse tudo perfeito como ela imaginava. A atriz Kristin Davis conseguiu transformar sua Charlotte ao longo dos anos, de metida e nojenta a uma mulher sensível, que não suporta admitir suas falhas.

A cidade não seria nada sem o sexo, personificado por Samantha Jones, personagem de Kim Cattrall. Sua irreverência fez todo o sentido para a liberdade feminina tão carente do final dos anos 90 e início de século. Sem pudores com o corpo, nem papas na língua, a força da personagem foi capaz de desbravar a sexualidade numa posição principal e não submissa. Com essa inversão de papéis, Samantha era praticamente a incorporação de uma frase famosa da cantora Cher: “Eu sou o homem rico.”

A série

Lançada em 1998 e com 12 episódios, a primeira temporada era ousada no texto e tímida no visual. Vestida de tubinhos pretos, o programa queria falar abertamente sobre sexo, ou a falta dele com o público. Ao longo das temporadas, Carrie narrava sobre a vida de cada uma delas, incorporando seu trabalho como escritora à trama e os assuntos foram ganhando novas nuances sobre como era ser uma mulher do novo século. E o sentimento de ter Carrie, Miranda, Charlotte e Samantha como melhores amigas foi o que sustentou a legião de fãs pelos brunchs e cosmopolitans enquanto o texto carregava bons diálogos e assuntos que a HBO coloca sempre em pauta tão perfeitamente. A série que durou até 2004, com 6 temporadas, passou também pela greve dos roteiristas que prejudicou a qualidade de sua temporada final, assim como a de várias produções da época que tiveram que ser congeladas.

Os filmes

Os órfãos de Sex &The City até que não esperaram muito até o primeiro filme ser lançado. Foram quatro anos até que a história evoluísse para a grande tela com a direção e roteiro de Michael Patrick King (Two Broke Girls, Will & Grace). Ao som de uma trilha sonora original feita para o filme na voz da cantora Fergie, a grandiosidade do visual era o maior apelo dessa nova empreitada. Com Patricia Field assinando o figurino, cada tomada era de cair o queixo e o lado fashion da história foi elevado à décima potência. Uma atitude totalmente apropriada quando se fala de cinema.

O roteiro também continha evoluções de personagens mais rápidas, já que não tinha o luxo de 10 ou mais episódios para concluir um arco, o que também funcionou muito bem para cada uma delas. E com o sucesso eminente do primeiro filme, logo o segundo foi anunciado e o espetáculo visual conseguiu levar as precursoras do sexo na tv para uma terra completamente conservadora. No segundo filme, Carrie, Miranda, Charlotte e Samantha vão para Abu Dhabi, onde a trama consegue explorar os contrastes das culturas, pelo ponto de vista das mulheres. Uma pena que, o já planejado terceiro filme, não tenha visto a luz do dia, mas agora com o revival da série pela HBO Max, as esperanças dos fãs e de novas gerações estão renovadas.

O retorno

É engraçado ver que mesmo em meio a tantos fãs, muitas mulheres não se renderam aos contos luxuosos das quatro amigas. É fato que o tempo é remédio pra tudo, e talvez esse seja o maior trunfo do retorno de Sex & The City, já que muitas coisas colocadas no passado, não funcionariam hoje em dia. Mesmo assim, a série retorna com a chance de conquistar uma nova década, agora pela HBO Max e com 10 episódios.

Será interessante ver como elas estão agora aos 50 anos e como vão interagir num mundo pós #metoo e tantas outras campanhas. Segundo a própria Sarah Jessica Parker, o quarto personagem dessa história será a cidade de Nova York, porém o título do revival será “And Just Like That…”, o que deixa um amargor na garganta, afinal o sexo e a cidade foram tirados do foco, assim como sua maior força de liberdade sexual que guiou praticamente todo esse legado. Sim, Kim Cattrall não retorna com sua Samantha Jones após os inúmeros escândalos e declarações que fez sobre o ambiente da série ser tóxico e não existir nenhum tipo de amizade entre as atrizes. De qualquer forma, Parker, Nixon e Davis retornam com um cachê de nada mais, nada menos que 1 milhão de dólares por episódio.

Curioso, já que uma série que preza pela amizade entre as mulheres acima de tudo, não tenha conseguido sustentar o mesmo clima nos bastidores e nos faz questionar a nostalgia a qualquer custo dos estúdios de Hollywood em reviver um universo que estava adormecido. Mesmo assim, a icônica Sex & The City é uma marca que dificilmente vai se esgotar e que muitas histórias ainda podem ser aproveitadas num futuro próximo. Será muito legal ver para onde a série vai nos levar dessa vez.

Você também pode gostar…

  • Leia mais
    Confira a programação do DC Fandome, desse sábado (22)
    22.08.2020
  • Leia mais
    Os 10 Filmes blockbusters mais aguardados de 2018
    30.12.2017
  • Leia mais
    No aniversário de J.K. Rowling e Harry Potter, 10 Filmes para uma infância mágica
    31.07.2015
Quadro por Quadro