Em Feitiço da Lua, Norman Jewison entrega uma comédia romântica irresistível que mistura paixão, humor e um toque de magia. Ambientado no Brooklyn e embalado por uma trilha sonora que vai de Dean Martin a Puccini, o filme mergulha nas contradições do amor — aquele sentimento que desestabiliza, desafia convenções e reacende vidas que pareciam adormecidas.
Cher vive Loretta Castorini, uma contadora viúva que leva uma vida prática e sem grandes emoções. Prestes a se casar novamente, desta vez com o pacato Johnny Cammareri (Danny Aiello), ela parece disposta a trocar o amor por segurança. Tudo muda, porém, quando conhece o irmão mais novo de seu noivo, o intenso e apaixonado Ronny (Nicolas Cage), dono de uma padaria e de um temperamento que contrasta com a monotonia que domina a vida de Loretta.

A partir desse encontro, o roteiro de John Patrick Shanley — vencedor do Oscar — transforma o banal em encantamento. Entre diálogos espirituosos e situações tragicômicas, Feitiço da Lua revela-se uma fábula sobre segundas chances, mostrando que a felicidade pode surgir quando menos se espera, mesmo sob a sombra de antigas perdas. A direção de Jewison, delicada e generosa, cria um ambiente familiar ao mesmo tempo caloroso e caótico, em que os pequenos dramas domésticos se misturam ao desabrochar de grandes paixões.
Cher brilha com naturalidade e carisma. Sua transformação — de mulher contida e pragmática em alguém que redescobre a própria sensualidade — é conduzida com sutileza e verdade. Ela captura com precisão o equilíbrio entre razão e impulso, tornando Loretta uma heroína moderna e, ao mesmo tempo, profundamente humana.
Nicolas Cage, ainda em início de carreira, surpreende com intensidade e vulnerabilidade. Seu Ronny é um homem ferido, dominado por emoções extremas, e sua química com Cher é o motor do filme — uma combinação de fogo e ternura que torna cada cena compartilhada uma pequena explosão de energia romântica.

Os coadjuvantes, interpretados por Olympia Dukakis, Vincent Gardenia e Feodor Chaliapin, ampliam a riqueza emocional do enredo, compondo um retrato divertido e afetuoso de uma família ítalo-americana onde amor e confusão andam de mãos dadas. Dukakis, em especial, oferece momentos de sabedoria melancólica que equilibram o frenesi do romance principal.
No fim, Feitiço da Lua é uma celebração do amor em todas as suas formas — imperfeito, irracional e inevitável. Sob o brilho da lua que dá nome ao título, o filme convida o espectador a se render ao acaso e à emoção, lembrando que, mesmo entre corações cansados e rotinas previsíveis, o amor sempre encontra um jeito de surpreender.




