Hemlock Grove – 3ª Temporada

Série chega ao fim com muita crueldade e pontas soltas.

26.10.2015 │ 12:22

26.10.2015 │ 12:22

Série chega ao fim com muita crueldade e pontas soltas.

A suão entre terror e ficção científica pode não ser novidade, mas essa foi a aposta de Hemlock Grove desde sua primeira temporada, sendo também uma das primeiras séries originais da Netflix. Querendo se distanciar ao máximo das concorrentes da época como True Blood e The Vampire Diaries, a série chegou com um tom sério e sóbrio, sem muitos monstros a solta, tudo era muito subjetivo e os mistérios ainda mais. Esse gancho não foi suficiente para ganhar fãs como as concorrentes mais populares, mas fez dos vampiros, lobisomens, aberrações e bruxas, criaturas errantes que com o passar de seus processos evolutivos criaram alternativas de adaptação no mundo contemporâneo.

A terceira e última temporada de Hemlock Grove adaptada por Eli Roth e inspirada na obra de Brian McGreevy, continua os eventos da segunda temporada e também procura concluir de maneira apressada algumas coisas que ficaram no ar desde a temporada de estreia. Dessa vez, uma doença ameaça a existência dos upirs (vampiros) que faz com que eles matem seus semelhantes, levando a extinção da espécie. Tudo motivado pelo Doutor Arnold Spivak (J.C. MacKenzie) que é o médico de confiança da famí­lia Godfrey e também uma criatura muito antiga ligada a mitologia do fim dos tempos, vista nos sonhos de Peter Rumancek (Landon Liboiron).

O interessante é que por se tratar de um capí­tulo final, a produção parece se desarmar e relaxa um pouco no bom sentido, e se leva menos a sério, mesmo com as falhas de roteiro. E não parece contida como a primeira temporada principalmente. Uma caracterí­stica perceptí­vel de outros trabalhos de Roth, como o filme O Albergue, que cria muita expectativa e não entrega nenhuma. A aposta no diferencial em Hemlock Grove ainda foi pouco explorada, como a transformação de Peter em lobo e a mandí­bula esticada de Roman Godfrey (Bill Skarsgard) que são muito legais.

Destaque para a ótima Famke Janssen que trabalha com ambiguidade sua Olivia Godfrey entre a extrema crueldade e o humor sombrio, acompanhada do amuleto latino chamado Chango, uma entidade imaginária que conversa com ela entre o desenrolar das cenas. Nesse capí­tulo final, Olivia se mostra ainda mais egoísta e pronta para enfrentar até os filhos para sobreviver, inclusive recebe a inesperada visita de uma filha que ela abandonou no passado. Alguns detalhes da mitologia desse universo são passadas muito por cima, não é dada a devida importância para a criatura de Spivak que é além de tudo o sí­mbolo presente no logo da série e também no anél de Peter na primeira temporada, deixando só a ansiedade para que aquilo acabe logo, e acredite, acaba de uma maneira muito fácil.

A doce Shelley (Madeleine Martin), que teve a chance negada de transferir sua consciência para um corpo sem defeitos, representa a pureza e instrumento de manipulação de sua mãe e irmão, mas aprende a lidar com seu isolamento e não deixa mais que isso a afete, de maneira que a sua inocência permanece honrando o pouco que ela aprendeu sobre ser incluí­da na vida de pessoas que a enxergam embaixo da carcaça deformada de seu rosto. Mas a inocência é para poucos nessa história que conclui dando o final merecido para todos, que de uma maneira ou de outra, levaram seus destinos para o fim mais temido.

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