IT: A Coisa

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IT: A Coisa marca o retorno de uma das histórias mais icônicas de Stephen King ao cinema, agora sob o olhar de Andy Muschietti. Em vez de apenas revisitar o trauma coletivo causado pelo palhaço Pennywise, o filme entende que seu verdadeiro terror nasce da vulnerabilidade da adolescência — e transforma essa fase em combustível emocional. A combinação entre horror e aventura faz com que a obra funcione não só como um susto bem calculado, mas como um retrato sensível sobre tudo aquilo que tentamos evitar quando ainda estamos descobrindo quem somos.

A decisão de atualizar a trama para o final dos anos 1980 ajuda a aproximar o público desse universo, começando pelo desaparecimento de Georgie, cuja ausência se torna uma ferida aberta para Bill. É a partir dessa dor que a narrativa avança, enquanto a cidade de Derry tenta seguir em frente, mesmo com o medo escorrendo por seus esgotos. O filme cria rapidamente um sentimento de cumplicidade com os personagens, reforçando que, mais do que vítimas de uma entidade sobrenatural, eles carregam marcas que antecedem o palhaço.

O chamado “Clube dos Perdedores” surge como o coração da história. Cada integrante enfrenta manifestações próprias de seus medos, que vão desde memórias traumáticas até inseguranças silenciosas. Essa construção faz com que o terror não seja só visual, mas emocional — e, surpreendentemente, íntimo. Muschietti entende que monstros são apenas metáforas; o que realmente assombra são as experiências que nos moldam.

Ao mesmo tempo, IT: A Coisa abraça influências que dialogam diretamente com o público. Entre as referências mais evidentes estão clássicos como Poltergeist: O Fenômeno, Os Goonies e o magnetismo nostálgico que hoje também reconhecemos em Stranger Things, que por sua vez bebe muito na fonte da obra de Stephen King. Pennywise, interpretado por Bill Skarsgård, encontra um equilíbrio curioso entre o lúdico e o grotesco, conquistando presença própria sem competir com o legado de adaptações anteriores.

Visualmente, o filme impressiona ao conferir grandeza cinematográfica a uma história sobre crianças enfrentando o impossível. A fotografia de Chung Chung-hoon cria uma atmosfera que alterna entre o brilho das tardes de verão e os cantos mais claustrofóbicos de Derry, reforçando a sensação de que o perigo pode estar em qualquer lugar. A trilha sonora também amplia o impacto emocional, ajudando o terror a coexistir com os momentos de amizade e leveza.

Ainda que não busque ser o filme mais assustador do gênero, a produção encontra força justamente na mistura entre horror e sensibilidade. Alguns sustos funcionam mais pelo artifício que pela tensão acumulada, e há instantes em que a narrativa parece preferir a diversão à construção de um medo mais profundo. Mesmo assim, o equilíbrio entre humor, fantasia e vulnerabilidade mantém o filme sempre envolvente.

No fim, IT: A Coisa se revela menos sobre enfrentar monstros e mais sobre aprender a nomear o que nos paralisa. Muschietti entrega uma adaptação enérgica, cheia de personalidade, que respeita o espírito da obra original sem se prender totalmente a ela. Entre sangue, bicicletas e promessas de verão, o filme nos lembra que alguns medos nunca desaparecem — mas ficam menores quando não estamos sozinhos.

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