Juntos

(2025) ‧ 1h42

"Juntos": Um terror corporal sobre o amor que apodrece

Ricardo Feldmann Dotto

O filme de horror corporal (body horror), Juntos, estrelado por Dave Franco e Alison Brie é uma obra original e impactante. A forma como o filme usa o horror como uma metáfora para explorar relacionamentos tóxicos e a co-dependência, é magistral.

Na trama, temos um casal disfuncional e codependente cuja união é posta à prova quando uma força estranha e sobrenatural toma conta de seu relacionamento. Tim (Dave Franco) e Millie (Alison Brie) cuja relação conturbada e já abalada é levada ao limite após se mudarem para uma cidade isolada no interior dos Estados Unidos. O que se apresenta como a oportunidade perfeita para recomeçar e fortalecer os laços, logo se transforma num pesadelo quando parece que a floresta dessa pequena cidade esconde segredos nefastos.

Uma força sombria começa a corromper a relação, os corpos e as mentes do casal, colocando-os num caminho de auto destruição iminente. Com a tensão no ar já cortante e acalorada, o encontro com essa escuridão os afasta do que conheciam e imaginavam. Tim e Millie descobrirão que para permanecerem juntos, vão precisar enfrentar um horror muito maior do que uma simples separação.

Destaques para a forma como o filme utiliza o horror corporal para representar a corrosão emocional e física de um relacionamento disfuncional. A ideia de um casal que fica literalmente “grudado” serve como uma metáfora poderosa e grotesca para a autodestruição que pode ocorrer quando o amor apodrece.

Juntos sem dúvidas é um dos filmes de terror mais originais dos últimos anos, fugindo da era de reboots e remakes. A história, que mistura terror, mistério e drama psicológico, é criativa e inteligente.

As atuações de Dave Franco e Alison Brie são pontos fortes, sustentando o peso dramático da história. A direção de Michael Shanks também é ótima por criar uma atmosfera angustiante e por usar efeitos práticos que servem a narrativa, sem serem gratuitos.

Entretanto, o ritmo do filme exige paciência, especialmente no primeiro ato, que é mais lento. Além disso, a mitologia por trás do horror sobrenatural pode ser um pouco nebulosa, deixando algumas lacunas para o espectador preencher. O final também pode dividir opiniões.

No geral, Juntos é uma experiência cinematográfica incômoda, perturbadora, bizarra e densa, mas que acerta ao entregar uma camada de significado por trás do terror. É um filme recomendado para quem busca uma história com mais profundidade no gênero, embora poderia ter explorado ainda mais o aspecto do “body horror”. O filme literalmente te mantém grudado, puxando o espectador como se fosse um ímã do começo ao fim. Indiscutivelmente uma obra prima contemporânea e um clássico imediato do gênero!

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