Legion – 1ª Temporada

31.03.2017 │ 19:42

31.03.2017 │ 19:42

O universo dos X-Men nas mãos da Fox, tem crescido cada vez mais e tem tentado se conscientizar da grandeza do material que eles tem nas mãos. Além de possibilidades infinitas nas telonas, agora o investimento se curvou também para a TV. Legion, a primeira série baseada no universo dos mutantes sobre a mente de David Haller (Dan Stevens), chegou ao canal FX e carrega consigo o DNA que foi estabelecido por Bryan Singer lá no primeiro filmes dos filhos do átomo.

A televisão cria potencial para trabalhar personagens não tão conhecidos do grande público e pode seguir com eles independentemente do que acontece no cinema. Deadpool e Logan, permitiram muito essa expansão nos moldes dos super heróis que vinham sendo feitos e se arriscaram de maneira inteligente. Legion chega com muita pretensão nas mãos do criador de Fargo, Noah Hawley, a série da Marvel se fixa em conceito. Com um visual muito parecido com o ar sessentista de X-Men: Primeira Classe e uma direção de arte muito preocupada em design, cenários impecáveis e muito estudo para criar um estilo, essa ideia toda se torna vazia assim que os primeiros minutos da série são apresentados. Porque o design não acompanha o roteiro.

Originalmente filho de Charles Xavier e Gabrielle Haller e dono de uma mutação muito poderosa, David pode controlar mentes, tempo e realidades. Na série, atormentado por sua mente cheia de realidades, a sua condição logo se confunde com esquizofrenia e é o que dá o start para a trama começar. Afinal, o que é real? Mesmo sem menção nenhuma a outros mutantes, Legion está bem inserido no contexto da evolução que Patrick Stewart narrava tão bem nos filmes. De como os mutantes são temidos, mas também são o futuro. E também o medo dos humanos dessa tomada de poder e consciência sobre eles. Essa adaptação tenta criar sensações e experiências muito distantes de uma linha temporal organizada ou até mesmo de uma didática na trama. A mente de David é altamente explorada para criar uma montagem de liberdade criativa muito rica.

Da mesma forma que é algo novo e muito diferente de tudo que é feito sobre super-heróis na TV hoje em dia, a série talvez não consiga criar empatia para prender seu público até as revelações do final, porque quem fica para acompanhar vai se entediar com essa linguagem desordenada e muito alucinógena que parece não dizer nada de tão conceitual que é. Por mais que assisti-la seja um exercício audiovisual, a produção tem sim seus méritos. Um protagonista que entrega cenas incríveis e segura o programa todo mesmo com as dinâmicas e relações com outros personagens serem mal escritas e também um vilão inesperado e muito peculiar, mas que bebe muito da fonte clássica de vilões sobrenaturais. Um pouco dos atos de Legion lembram a série de Preacher, que termina anunciando um novo cenário. Cabe a nós agora esperarmos a segunda temporada para nos perdermos na mente psicodélica de David mais uma vez.
Nota:

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