Menino 23: Infâncias Perdidas no Brasil

07.07.2016 │ 13:39

07.07.2016 │ 13:39

Vamos começar falando de Brasil. Eis um país com extensão imensa, multifacetado, dividido em 5 regiões com características muito distintas entre si. Aparentemente não machista, aparentemente não racista, mas a história não é bem essa e todos sabemos.
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No documentário Menino 23: Infâncias Perdidas no Brasil, a gente vê um pouco além do que é ensinado nas escolas, um pouco além daquela imagem de um país mais pacífico, sem muito envolvimento com guerras. Pois bem, o Brasil calminho também abrigava o segundo maior partido nazista do mundo, atrás somente da Alemanha. Havia a prática da eugenia, uma teoria que ganhou força por volta de 1920 e que determina que é necessário haver uma “seleção” dentre a humanidade dos melhores indivíduos, com base na genética – ou seja, quem não é “escolhido”, é eliminado. Soa familiar? É isso mesmo, a educação por eugenia chegou a ser incluída em um artigo (138) na Constituição brasileira de 1934.
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O documentário mostra como um grupo de 50 crianças órfãs e em sua maioria negra foi retirado de um orfanato no Rio de Janeiro para ser escravizado por uma família rica de simpatizantes do nazismo, a família Rocha Miranda. Vemos o relato do Seu Argemiro Santos e Seu Aloysio Silva, mostrando tijolos gravados com a suástica que ainda podem ser encontrados no local, uma fazenda em São Paulo, na região de Campina do Monte Alegre. Os mesmos tijolos que fizeram com que o historiador Sidney Aguilar Filho começasse a investigar a história toda.
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A suástica também era usada para marcar gado, só para dar uma ideia do cenário em que esses meninos se encontravam. Seu Argemiro e Seu Aloysio confidenciam a dura realidade de terem sua infância roubada para trabalharem para os patrões. Sem salário, com condições precárias, vítimas de maus tratos e castigos, uma situação de escravidão mesmo após anos de abolição da escravatura (1888).
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O diretor Belisario Franca fez um documentário que narra muito bem todo o contexto do racismo praticado com as crianças, mostrando spots e comerciais com negros no papel de criados burros e ignorantes, claramente demonstrando a falta de uma política de integração social após a abolição da escravatura, mas ironicamente revelando o quanto foi gasto em programas que visavam a propagação de uma imagem inferior da população negra, intelectualmente e como raça mesmo. A narrativa reflete na gente a tristeza e a raiva estampada nos olhos de Seu Aloysio, o menino 23 do título – fazendo alusão ao nazismo e sua forma de reduzir os indivíduos a meros números.
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Em um país onde 92% de sua população acredita que existe racismo, mas apenas 1,3% assume ser de fato racista, onde negros são 54% da população, mas apenas 17% são mais ricos, resta a necessidade de uma reflexão muito maior sobre o assunto, uma discussão muito mais profunda sobre privilégios e cotas, sobre o que é realmente justo em um cenário onde o contexto histórico sempre favoreceu homens brancos.
Nota:

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